Rússia ameaça bases dos EUA no leste da Europa

A Rússia ameaçou nesta quarta-feira apontar mísseis contra as bases que receberam um sistema de defesa americano na Polônia e na República Tcheca, enquanto as tensões aumentam na Geórgia.

AFP |

"Não posso negar que uma parte de nossos mísseis intercontinentais tenha como alvo as instalações de escudos antimísseis da Polônia e da República Tcheca e locais potenciais similares", declarou o general Nikolai Solovtsov, chefe das forças estratégicas russas.

A Polônia e os Estados Unidos assinaram em meados de agosto um acordo que permite a Washington instalar em território polonês, até 2012, dez interceptores capazes de destruir em vôo eventuais mísseis balísticos de longo alcance.

Antes, a República Tcheca havia assinado com os americanos um acordo para a instalação de um poderoso radar do mesmo sistema de defesa.

Na véspera de uma visita a Varsóvia, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, acusou nesta quarta-feira os Estados Unidos de terem rompido o equilíbrio militar com a Rússia.

"Com certeza, a Polônia não entendeu que isto se tornou um elemento de um jogo muito perigoso. O equilíbrio entre as potências militares de Washington e Moscou foi rompido por culpa dos Estados Unidos", afirmou Lavrov em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal polonês Polska.

A visita de Lavrov, que quinta-feira se reunirá com seu colega polonês, Radoslaw Sikorski, e com o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, é a primeira de um alto responsável russo a um país da União Européia (UE) desde o início da crise com a Geórgia em agosto.

A Polônia, que deu seu firme apoio ao presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, contra a Rússia, se vingou de Moscou, segundo Lavrov, ao aceitar em plena crise a instalação desta base americana em seu território.

"A Polônia se vingou de nós por termos defendido os habitantes da Ossétia do Sul", afirmou o chanceler russo. "É um comportamento muito mesquinho, além de ser um erro político", acrescentou.

Moscou vê os planos de defesa antimísseis na Europa Central como parte de um esforço para cercar a Rússia, mas os Estados Unidos insistem que estas instalações estão dirigidas contra países como o Irã.

Estes comentários coincidem com o aumento da tensão na Geórgia, devido à morte de um policial georgiano atingido por disparos de soldados russos em um posto de controle perto da Ossétia do Sul.

"Um policial georgiano foi alvo de disparos de um posto de controle russo em Karaleti por volta as 09H15 local (05H15 GMT). Os russos dispararam", disse à AFP um porta-voz do ministério do Interior, Shota Utiashvili.

Há dois dias, o presidente russo, Dmitri Medvedev, fechou um acordo com o presidente em exercício da União Européia, o presidente francês Nicolás Sarkozy, para que as forças russas se retirem da Geórgia até 10 de outubro, embora não das regiões separatistas de Ossétia do Sul e Abkházia.

Segundo um oficial russo no comando de um posto de controle perto da cidade de Jobi, situado a cerca de 30 km da Abkházia, seus soldados começaram a se retirar do país.

Já uma autoridade georgiana afirmou o contrário, que a retirada das tropas russas de um povoado perto da Abkházia, anunciada na véspera pela Geórgia como o "primeiro sinal" da retirada russa do país, não ocorreu e foi anunciada por erro.

bur-acc/lm/fp

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