Moscou, 12 jul (EFE).- O Ministério de Assuntos Exteriores russo afirmou hoje que a aprovação das sanções contra o Zimbábue pelo Conselho de Segurança da ONU representaria um precedente perigoso em relação à ingerência desse órgão nos assuntos internos dos Estados.

Essa declaração da Chancelaria russa, em comunicado público, buscava explicar o veto russo ao projeto apresentado pelos Estados Unidos, também vetado pela China.

A adoção do documento "representaria um precedente perigoso, que abriria caminho à ingerência do Conselho de Segurança nos assuntos internos dos Estados em vista de alguns eventos políticos, o que transgride a Carta da ONU", acrescenta o comunicado da diplomacia russa.

Moscou expressou sua rejeição categórica às "tentativas de alguns países-membros do Conselho de Segurança de conferir ao órgão prerrogativas que vão além das estatutárias, além do respaldo à paz e à segurança internacional".

"Consideramos que esses excessos são ilegítimos, perigosos e conduzem ao desequilíbrio de todo o sistema da ONU", acrescenta a declaração.

A Chancelaria russa ressaltou que Moscou acompanha atentamente o desenvolvimento dos eventos no Zimbábue, antes e depois das eleições presidenciais, e condena as "irregularidades e os atos de violência, que são de responsabilidade tanto das autoridades zimbabuanas quanto da oposição".

Ao vetar o projeto de resolução, a Rússia partiu do pressuposto de que "a situação no Zimbábue não representa uma ameaça para a segurança e a paz regional, menos até para a internacional, e, portanto, não há necessidade de aplicar sanções ao país", acrescenta a declaração.

"A solução para os problemas internos do Zimbábue, que efetivamente existem, deve ser buscada no diálogo político entre o Governo do Zimbábue e a oposição", afirmou o Ministério de Exteriores russo. EFE bsi/fh/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.