Rússia afirma que escudo dos EUA está apontado para ela e ameaça Polônia

Moscou, 15 ago (EFE).- A Rússia afirmou hoje que o escudo antimísseis que os Estados Unidos planejam posicionar em território polonês e tcheco está voltado contra ela e advertiu à Polônia que se transforma em alvo dos mísseis nucleares russos.

EFE |

"O posicionamento de novas forças de defesa antimíssil na Europa tem como alvo a Federação da Rússia e escolheram para isto o momento adequado", declarou o presidente russo, Dmitri Medvedev, após se reunir em Sochi com a chanceler alemã, Angela Merkel.

O líder russo se referiu assim ao acordo firmado ontem pela Polônia e pelos EUA para instalar uma base de interceptores em território polonês, após anos de negociações nas quais Varsóvia reivindicava como compensação ampla cooperação e proteção militar.

A imprensa russa informou que a Polônia mudou sua postura e acelerou a assinatura do acordo após o Exército russo entrar na Geórgia há uma semana.

A Casa Branca reiterou ontem que o plano de defesa antimísseis dos EUA não é uma ameaça contra a Rússia, pois seu objetivo é neutralizar possíveis ataques que possam partir de algum dos países do chamado "eixo do mal", como o Irã.

O líder do Kremlin respondeu hoje afirmando que "as histórias sobre a necessidade de conter 'países párias' já não valem" e acrescentou que o acordo entre Polônia e Washington "não traz tranqüilidade ao mundo".

"O que aconteceu é muito triste para a Europa, para todos os que vivemos nesta região densamente povoada, embora não seja dramático", declarou Medvedev, quem prometeu "continuar trabalhando nesta questão e debater o problema" com os EUA, afirma a agência "Interfax".

Mais categórico, o chefe adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas russas, general Alxandr Nogovitsin, declarou hoje que a "Polônia se transforma em um alvo, no objetivo de um ataque de resposta, e tais alvos são os primeiros que devem ser exterminados".

O general foi além e lembrou que a doutrina militar russa permite o país empregar em tais casos as armas nucleares.

"Diz claramente: as empregamos contra estados que possuem armas atômicas, contra os aliados dos estados que possuem armas atômicas, se os ajudam em algo, e contra aqueles que abrigam em seu território armas atômicas alheias", declarou o general, apesar de a Polônia só aceitar receber dez interceptores convencionais.

O plano de Washington também inclui instalar um sistema de radar na República Tcheca, ao qual Praga já deu seu sinal verde, enquanto a Rússia considera uma "ameaça direta para sua segurança". EFE si/fal

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