Para chanceler russo, ação militar contra país persa seria 'erro muito grave' e saída para impasse nuclear deve ser diplomática

Segei Lavrov fez o alerta nesta segunda-feira
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Segei Lavrov fez o alerta nesta segunda-feira
O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou nesta segunda-feira que uma ação militar contra o Irã seria um "erro muito grave repleto de consequências imprevisíveis". Para Lavrov, a única saída para resolver o impasse nuclear envolvendo a nação persa é a diplomacia, e não ataques com mísseis.

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Os comentários do russo acontecem depois de o presidente israelense Shimon Peres ter dito que um ataque ao Irã estava se tornando cada vez mais provável. É esperado que a agência nuclear da ONU anuncie essa semana que o país está desenvolvendo uma capacidade para produzir armas nucleares secretamente.

Diplomatas afirmam que o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), previsto para ser divulgado na terça ou quarta-feira, terá evidências tão convincentes, que será difícil para o Irã rebatê-las.

Teerã sempre insistiu que seu programa nuclear serve apenas para gerar energia com propósitos civis. O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, disse que as alegações fazem parte de uma campanha de difamação dos EUA contra seu país.

Questionado sobre as afirmações de Shimon Peres, Lavrov disse que essa não era a primeira vez que Israel ameaçava o Irã com ataques. "Nossa posição nesse caso é conhecida: esse seria um erro muito grave com consequências imprevisíveis."

Lavrov disse que "o único caminho para acabar com as preocupações é criar todas as condições possíveis" para retomar o diálogo do Irã com as seis potências mundiais - incluindo a Rússia.

A Rússia foi responsável pela construção da primeira usina nuclear operando oficialmente no país, a usina de Bushehr .

Também a Alemanha se manifestou contra a hipótese de uma ação militar contra o Irã. Para o ministro alemão de Relações Exteriores, Guido Westerwelle, isso poderia dar mais força política à República Islâmica, ao invés de debilitá-la. "Alerto contra aventar a ideia de opções militares", disse Westerwelle ao jornal Hamburger Abendblatt. "Esses são debates (...) que fortalecem a liderança iraniana, ao invés de enfraquecê-la."

Resposta do Irã

Teerã rebateu de maneira antecipada às possíveis acusações da AIEA por seu programa nuclear e prometeu represálias contra Israel e EUA no caso de ataque militar contra seu território.

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A hipótese de um ataque de Israel contra as instalações nucleares do Irã ganhou força nos últimos dias, alimentada por vazamentos para a imprensa sobre um debate que divide o governo do premiê Benjamin Netanyahu.

Nesta segunda-feira o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad declarou que EUA e Israel desejam atacar o Irã para combater a crescente influência da República Islâmica e advertiu contra qualquer agressão ao país, em uma entrevista ao jornal egípcio Al-Akhbar.

"O Irã aumentou suas capacidades e continua progredindo, e por esta razão é capaz de rivalizar com o mundo. Agora Israel e o Ocidente, em especial os EUA, temem as capacidades e o papel do Irã", disse Ahmadinejad. "Buscam apoio internacional para suprimir a influência (do Irã). Os arrogantes devem saber que o Irã não permitirá esta agressão."

Um importante religioso conservador iraniano, o aiatolá Ahmad Khatami, pediu nesta segunda-feira ao diretor-geral da AIEA, o japonês Yukiya Amano, que não atue como um instrumento dos EUA contra o Irã. "Se Amano atuar como um instrumento sem vontade nas mãos dos EUA, publicando mentiras e apresentando-as como documentos, a AIEA perderá a escassa reputação que resta", declarou Khatami em um discurso por ocasião do Aid (Festa do Sacrifício).

Khatami também fez um alerta a EUA e Israel sobre uma eventual ação militar contra o Irã. "A época da superpotência americana terminou. O Irã é um país poderoso e, ante qualquer conspiração, responderá da mesma forma para que isto sirva de lição aos outros países", completou o religioso.

Com informações da AFP e BBC

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