O governo da Rússia afirmou nesta quarta-feira que soldados do país desmontaram e destruíram equipamentos militares encontrados em uma base da Geórgia perto da cidade de Gori, que fica a cerca de 25 km da região separatista da Ossétia do Sul. Um comunicado divulgado pelas Forças Armadas russas diz que a medida foi tomada para desmilitarizar a região.

Um comboio de cerca de 60 veículos militares russos foi visto também nesta quarta-feira numa estrada ao sul de Gori que leva à capital georgiana, Tbilisi - mas Moscou negou a alegação de que suas forças estivessem avançando rumo à capital.

Testemunhas que abandonaram Gori disseram que a cidade tem sido palco de saques e ataques a tiros supostamente realizados por separatistas ossetianos.

Entretanto, a Geórgia acusou soldados russos de estarem realizando os ataques - algo que foi negado pelas autoridades de Moscou.

Em declarações divulgadas pela TV russa, o ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, admitiu operações para neutralizar equipamentos militares e armas também perto da cidade georgiana de Senaki, além de Gori.

Ivanov
O conflito envolvendo a Geórgia e a Rússia na região separatista da Ossétia do Sul, que formalmente pertence à Geórgia, começou no dia 7 de agosto, quando forças georgianas bombardearam o território, onde a maioria das pessoas é de origem russa.

A Rússia respondeu realizando uma ofensiva primeiramente na Ossétia do Sul e depois em outra região separatista, a Abecásia, com o objetivo formal de impedir a violência georgiana.

Nesta terça-feira, os dois lados aceitaram uma proposta de paz apresentada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Apesar disso, nesta quarta-feira voltaram a surgir relatos de violência na região de Gori.

Falando à BBC, Sergei Ivanov, um dos vice-primeiro-ministros da Rússia, disse que os ataques russos contra alvos militares fora da Ossétia do Sul são legais e necessários.

Ele disse que a Rússia tinha que destruir sistemas de artilharia georgianos e bombardear aeroportos militares para proteger os soldados de uma força de paz russa que já estava na Ossétia do Sul antes do conflito começar.

Ivanov também negou que a operação militar tivesse como objetivo afastar do poder o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, um crítico ferrenho de Moscou.

Diplomacia
Também nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou que os Estados Unidos estão enviando ajuda humanitária à Geórgia.

Bush também cobrou da Rússia que cumpra a sua promessa de pôr fim às hostilidades com a Geórgia, e disse a Rússia tem muito a perder se não respeitar a soberania do país vizinho.

Por outro lado, Lavrov disse que os Estados Unidos precisam escolher entre manter uma parceria com Moscou ou ter uma aliança com o governo da Geórgia, que Lavrov qualificou de "projeto virtual".

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