Moscou, 3 mai (EFE).- O médico-chefe do Serviço de Saúde da Rússia, Gennady Onischenko, afirmou hoje, em Moscou, que a prevenção é a melhor medida para evitar a propagação do vírus da aids.

"Os programas de prevenção são a ferramenta principal na luta contra o contágio pelo vírus da aids entre os grupos mais vulneráveis e também entre a população em geral", disse Onischenko durante a 2ª Conferência Internacional sobre HIV/Aids na Europa Oriental e Ásia Central, que começou hoje em Moscou.

Para o médico, a cobertura insuficiente dos programas de profilaxia nesta região e as consideráveis negligências na implementação das medidas propostas "não permitem alcançar resultados reais que influam no andamento do processo epidemiológico".

Segundo ele, na Europa Oriental e na Ásia Central, cresce o número de pessoas em estado terminal que precisam de tratamentos anti-retrovirais, e se observa um aumento das doenças relacionadas ao HIV, como a tuberculose e a hepatite, além de uma elevação na mortalidade entre os infectados com o vírus.

A prioridade de muitos dos países desta região está no diagnóstico e no tratamento do vírus da aids, enquanto os programas de prevenção são financiados em "quantidades insuficientes", diz Onischenko.

"A razão para a falta de meios suficientes para medidas profiláticas se deve à ausência de dados confiáveis de sua eficácia econômica", afirma.

Segundo Onischenko, as leis e também a mentalidade de uma porcentagem considerável da população da maioria dos países desta região não contribui para implantar programas de prevenção.

"Não podemos implementar de forma eficiente programas de prevenção contra o vírus da aids se os infectados com o HIV são discriminados", disse Peter Piot, diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).

Piot destacou a importância da prevenção e disse que, para cada doente tratado, são registrados 2,5 novos infectados pelo vírus.

Onischenko anunciou que a Rússia destinará 1 bilhão de rublos (US$ 42 milhões) entre 2008 e 2010 para pesquisas de desenvolvimento de uma vacina contra a aids.

Esta conferência internacional, que vai durar três dias, conta com a participação de mais de 2 mil especialistas de 50 países, membros da Unaids, da Sociedade Internacional da Aids e do Fundo Mundial da Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária. EFE egw/rr/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.