A Rússia prevê o envio de navios de sua frota do Mar Negro para a região rebelde da Abkházia, apoiada por Moscou, onde foi aberta uma segunda frente se abriu no conflito entre russos e georgianos, declarou uma autoridade do Departamento de Estados americano, neste sábado.

"Fomos notificados de que a Rússia planeja enviar elementos de sua frota do Mar Negro para a Abkházia, ou mais precisamente para a Ochamchira, aparentemente para proteger seus civis", disse essa fonte, acrescentando que se trata de "um par de cruzadores, ou navios de tamanho maior".

Os separatistas abkázios pró-russos teriam iniciado neste sábado uma operação militar para desalojar as tropas georgianas da Garganta de Kodor, único setor da Abkházia que foge a seu controle total, havia anunciado o presidente abkházio Sergueï Bagapch.

A Garganta de Kodor é uma passagem estratégica entre a Abkházia e a Geórgia que estava sob o controlo dos militares de Tbilisi desde Maio de 2006.

"A aviação russa está bombardeando as localidades de Sakeni e de Bas-Kvaptchara em Kodor", afirmou a televisão georgiana.

Combates

Reuters
Tanques russos em combate na Geórgia

Os combates mais sangrentos acontecem na região de Tamarasheni, situada poucos quilômetros ao norte da capital da Ossétia do sul, Tskhinvali.

Tamarasheni, uma das quatro regiões que formam o chamado enclave do norte georgiano, nunca esteve sob controle dos separatistas da Ossétia do Sul e por ela passa a principal estrada da região. No enclave funciona a administração provisória alternativa aos separatistas, liderada por Dmitri Senakov.

As tropas georgianas continuam a atacar Tskhinvali com todas as suas armas, inclusive com artilharia pesada e foguetes.

Durante a madrugada os ataques aéreos russos a alvos militares e civis em todo o território georgiano continuaram.

Segundo a imprensa da Geórgia, mais de 20 pessoas morreram na cidade de Gori - próxima à fronteira com a Ossétia do Sul - durante os bombardeios da aviação russa.

Nesta madrugada, aviões russos voltaram a atacar o porto georgiano de Poti e a base militar na cidade de Senaki, ambas bem distantes da área de conflito na Ossétia do Sul.

Segundo fontes georgianas, pelo menos seis pessoas morreram devido a explosões de bombas no porto de Poti.

Outras 12 morreram em Senaki, onde ficaram feridos 14 militares e reservistas, cuja mobilização foi decretada na sexta-feira pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. Um dos feridos morreu depois, já no hospital.

Os georgianos afirmam ter derrubado dez aviões russos, entre eles um bombardeiro de longo alcance Tu-22, que voava a pelo menos cinco mil metros de altura.

Os separatistas abkhazes lançaram hoje uma ofensiva para assumir o controle do desfiladeiro de Kodori, habitado por georgianos.

"As forças armadas da Abkházia começaram uma operação para expulsar as tropas georgianas da parte alta do desfiladeiro de Kodori", declarou o ministro de Assuntos Exteriores da região separatista, Serguei Shamba.

Já o ministro da Defesa da Ossétia do Sul, Merab Kishmaria, admitiu por telefone à Agência Efe que se trata de uma "operação conjunta" com as tropas russas, mas não quis dizer se a parceria é com os capacetes azuis ou com forças regulares.

Ao longo de toda a guerra de secessão na Abkházia, de 1992 a 1995, as forças separatistas, apoiadas pela aviação e por unidades regulares russas, não conseguiram vencer a resistência dos três mil habitantes de Kodori.

Com a Geórgia envolvida no conflito da Ossétia do Sul, onde enfrenta tropas regulares russas, as autoridades da Abkházia decidiram que chegou o momento de tomar posse de seu último território que permanece fiel a Tbilisi e onde fica o Governo, considerado legítimo pela Geórgia.

O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, propôs hoje o fim imediato das hostilidades na Ossétia do Sul e o início do processo de desmilitarização da região separatista do país.

"Propomos o cessar-fogo imediato e o início da retirada de tropas da linha de confronto", disse Saakashvili em coletiva de imprensa.

A Rússia, no entanto, exige que a Geórgia se retire das fronteiras do cessar-fogo e ratifique o compromisso de não usar a força, disse hoje o presidente russo durante uma conversa telefônica com o presidente americano, George W. Bush.

(com informações da AFP e da EFE)

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