Rússia abre processo penal contra capitães que não socorreram navio

Comitê de inquérito também abre ações contra operadora turística e autoridade de agência; número de mortes confirmadas chega a 88

iG São Paulo |

O Comitê de Instrução da Rússia abriu nesta terça-feira um processo penal contra os capitães dos dois navios que passaram perto do navio Bulgaria sem prestar socorro enquanto a embarcação afundava no domingo nas águas do rio Volga. "Serão abertos processos por omissão de socorro aos passageiros", informou o representante do comitê, Vladimir Markin, citado pela agência russa Interfax.

O comitê de inquérito também anunciou ações judiciais contra a operadora que vendeu os pacotes e sublocou o navio e contra uma autoridade da agência que registra embarcações fluviais. O comitê disse que a diretora geral da empresa ArgoRetchTour, Svetlana Iniakina, e o funcionário, Iakov Ivachov, foram detidos. Ambos podem ser condenados a pena de até dez anos de prisão pelo desrespeito às normas de segurança. Nesta terça-feira, o número confirmado de mortos pelo naufrágio de domingo subiu para 88, muitas das quais crianças, e ainda há mais de 40 desaparecidos.

O barco de dois andares e de 55 anos estava superlotado, mas ainda não está claro em que grau. Nesta terça-feira, o comitê disse que havia 192 pessoas a bordo quando ele afundou, dezenas a mais do que ele tinha autorização para levar. O Ministério de Emergências, porém, disse que o navio levava mais de 200.

O primeiro-ministro de Tartária, Ildar Khalikov, confirmou que dois navios passaram perto do Bulgaria enquanto a embarcação naufragava, acrescentando, porém, que foi um deles que avisou as autoridades sobre o que acontecia com o Bulgaria.

Khalikov, no entanto, declarou que as circunstâncias deverão ser esclarecidas. "Por enquanto não podemos falar de omissão de socorro; é uma prerrogativa da comissão de investigação. Há toda uma série de circunstâncias que terão de ser esclarecidas", disse.

As duas embarcações tinham a obrigação de tomar todas as medidas possíveis para prestar socorro ao Bulgaria, afirmou o diretor do porto de Kazan, Rashid Safin. A medida foi tomada pelo Arabella, que seguia o barco Bulgária e ajudou no resgate da maioria dos 80 sobreviventes. "Se não fosse essa embarcação, certamente ninguém teria sobrevivido", declarou.

Safin não quis dar os nomes dos dois navios, mas indicou que um deles é de propriedade privada e faz viagens comerciais. Um policial da Tartária indicou que, por causa da forte chuva e das ondas, os navios podem não ter visto o Bulgária, mas de qualquer forma teriam de ter escutado o pedido de socorro por rádio.

O artigo 270 do código penal russo prevê penas de até dois anos de prisão "por omissão de socorro à embarcação que naufraga".

Na segunda-feira, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, exigiu uma revisão das regras de segurança do sistema de transporte. "Devemos realizar um exame em todos os meios de transporte de passageiros", afirmou. "Segundo nossas informações, o estado desse barco não era satisfatório. Isso (o naufrágio) não teria acontecido se as regras de segurança tivessem sido respeitadas." Por decreto do presidente, o país faz nesta terça-feira luto nacional em memória das vítimas da tragédia.

O ministro de Situações de Emergência da Rússia, Sergey Shoygu, informou nesta terça-feira que os trabalhos para retirar do fundo do rio a embarcação devem começar no sábado.

O naufrágio do Bulgária, um navio construído na Checoslováquia em 1955, foi o acidente fluvial mais grave na Rússia em quase 30 anos.

*Com AP e EFE

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