A Rússia abriu outra frente de combate contra a Geórgia no conflito que opõe os dois países: a guerra da informação.

    O Ministério da Emergência russo passou a se encarregar de prover comunicação eletrônica para a província separatista da Ossétia do Sul, que conta com a simpatia russa em sua reclamação por independência de Tbilisi.

    O Ministério já anunciou que empresas russas vão fornecer, em caráter de urgência, uma rede de telefonia celular conectada ao sistema interno da Rússia - e não da Geórgia.

    Nesta sexta-feira, canais de televisão controlados pelo Estado russo devem iniciar as transmissões para a região através de antenas instaladas às pressas. Jornais russos também já começam a circular na província separatista.

    O repórter da BBC Steven Eke diz que essas medidas se aliam a outras também importantes, como a abertura de agências do banco estatal de poupança da Rússia para distribuir ajuda à população osseta.

    Steven Eke observou que a ampliação da presença russa na Ossétia do Sul não enfrenta oposições políticas, pois os líderes separatistas da província já têm laços fortes com o governo do vizinho maior.

    Para o repórter, as medidas parecem indicar que a Rússia está se mobilizando para tornar sua presença "permanente" na província separatista.

    Ocupação militar

    Na frente militar, as Forças Armadas da Rússia continuaram a ocupar áreas dentro da Geórgia nesta sexta-feira, enquanto representantes dos dois países negociam um acordo de cessar-fogo que obrigaria as tropas a retornarem à posição de antes do conflito.

    Segundo a agência russa Itar-Tass, as tropas da Geórgia já se retiraram completamente dos desfiladeiros de Kodori, na província separatista da Abecásia.

    Em uma entrevista coletiva, o vice-chefe de Estado Maior russo, Anatoly Nogovitsyn, disse que suas tropas encontraram na cidade georgiana de Senaki, a cerca de 30 quilômetros da costa do Mar Negro, um "grande arsenal" de armas fabricadas nos Estados Unidos, incluindo centenas de rifles de assalto e lançadores de granadas.

    Uma coluna de veículos armados e artilharia do Exército russo foi vista em movimentação pela cidade.

    Nogovitsyn disse, entretanto, que a visão russa do episódio não é militar, e que as negociações diplomáticas têm prioridade.

    Na cidade portuária de Poti, o repórter da BBC Richard Galpin contou ter visto tropas russas tomarem conta do porto, o maior do país, e destruído pelo menos seis navios militares georgianos.

    Segundo o repórter, um tanque e nove caminhões militares com a insígnia de missão de paz, além de barcos militares e helicópteros russos, pareciam conduzir operações para desmantelar a infra-estrutura militar georgiana - ou a "capacidade georgiana de agressão", como qualificou a Rússia no início desta semana.

    Computadores e equipamentos de navegação são levados dos navios ou destruídos, disse o repórter.

    No centro do país, prosseguem as negociações para um possível patrulhamento conjunto da estratégica cidade de Gori, fora da Ossétia do Sul e a 70 km da capital georgiana, Tbilisi.

    Hoje totalmente sob o controle de forças russas, Gori poderia ser devolvida à polícia da Geórgia, mas as reuniões não alcançaram resultado até agora. A Rússia diz que a permanência das suas tropas na cidade é necessária para manter a lei e a ordem.

    Anatoly Nogovitsyn disse que a Rússia está levando 120 diplomatas e jornalistas a Gori para comprovar que "armas pesadas não foram usadas" nos combates na cidade.

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