Ruralistas argentinos fazem nova greve contra governo

Por Nicolás Misculin BUENOS AIRES (Reuters) - O setor rural argentino lançou na terça-feira uma nova greve comercial contra a política agrária do governo, retomando uma prolongada disputa gerada pela intervenção estatal no mercado de alimentos.

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As quatro principais entidades rurais anunciaram em entrevista coletiva que deixarão de comercializar grãos durante sete dias a partir de 0h de sexta-feira, o que poderia prejudicar as exportações do país, que é um dos principais fornecedores de alimentos para o mundo.

"Interpretando o mal-estar dos produtores e a crítica situação do interior do país que cresce e se agrava, a comissão de ligação, continuando o plano de luta, convoca o cesse da comercialização de grãos com destino à indústria e a exportação, e de gado em pé (vivo)", disse Carlos Garretto, presidente da entidade Coninagro.

A medida, segundo ele, não afetará produtos perecíveis ou de zonas afetadas pela atual seca.

Além disso, Hugo Biolcati, presidente da Sociedade Rural Argentina, acrescentou que "não haverá nenhum problema de abastecimento, porque está permitida a comercialização de produtos frescos".

Entretanto, em protestos comerciais anteriores, as entidades rurais não conseguirão ter controle total do que ocorria nas estradas, e houve desabastecimento nas cidades argentinas.

Garetto afirmou que, "finalizada esta etapa e durante a vigência do plano de luta a comissão de ligação permanecerá em estado de sessão permanente para avaliar e definir os passos a seguir".

A tortuosa relação entre ruralistas e governo voltou a ficar tensa na semana passada, quando o Congresso renovou a autorização para que a presidente Cristina Kirchner fixe impostos sobre exportações.

A situação se agravou ainda mais na terça-feira, quando Cristina vetou um benefício fiscal para produtores afetados diretamente pela seca.

O ministro da Economia, Amadou Boudou, justificou o veto presidencial dizendo que "se há uma zona que tem um desastre e não pode produzir, ela não tem nada que exportar", segundo declarações reproduzidas pela agência estatal de notícias Télam.

(Colaborou Walter Bianchi)

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