Ruralistas anunciam trégua de 30 dias na Argentina

Os produtores do setor rural da Argentina anunciaram, nesta quarta-feira, uma suspensão por um mês do protesto que completou 21 dias e provocou desabastecimento alimentar no país e abriu uma crise no governo da presidente Cristina Kirchner. O anúncio dos ruralistas foi feito num palanque montado ao ar livre às margens de uma rodovia na cidade de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, ponto de maior resistência aos aumentos de impostos ao setor agrário que levaram à paralisação.

BBC Brasil |

"Seguimos em estado de alerta e mobilização e suspendemos a paralisação por um prazo de 30 dias", disse Mario Llambias, presidente da Confederações Rurais Argentinas (CRA).

"Mas não queremos terminar com mãos vazias em 30 dias ou voltaremos aos bloqueios. Por isso, vamos guardar nossos grãos e vamos nos limitar a enviar só o necessário para que não terminem nas maõs dos mafiosos", afirmou.

O anúncio foi acompanhado por produtores rurais de diferentes partes do país e seus familiares, além de moradores de Gualeguaychú.

Os presentes gritavam lemas como "O povo unido jamais será vencido" e "O que não pula é um pinguim" - animal que virou a marca do ex-presidente Nestor Kirchner e da sua esposa e sucessora, Cristina Kirchner, porque ele nasceu na Patagônia e o casal começou a sua carreira política na região.

Agenda de soluções
Llambias disse que nestes 30 dias o movimento pretende analisar uma agenda com o governo de "soluções" e "não promessas" para a produção de carne e de grãos, além do desenvolvimento das economias regionais.

O setor agrário é o principal braço da economia argentina e, segundo diferentes economistas, os altos preços, principalmente da soja, contribuem de forma decisiva para o equilíbrio fiscal e crescimento recorde da economia do país.

Mas o aumento dos impostos, anunciado dia 11, provocou o protesto, que teve no início a simpatia de alguns governadores que reclamam também da divisão destes recursos para as províncias produtoras de grãos.

Na concentração desta quarta-feira, o nome da presidente foi citado pelos diferentes líderes ruralistas. "Assim não se pacifica um país, senhora presidenta", disse Alfredo de Angelis, líder do movimento em Gualeguaychú.

Mas quando alguns ameaçaram vaiar, Angelis disse que "gostando ou não", Cristina é a presidente do país. "Senhora presidenta, não viemos buscar revanche (..) Nossa preocupação é que vamos terminar importando trigo. Isso é uma vergonha."
Outros representantes do setor que subiram ao palanque responderam ao discurso de Cristina, na véspera, dizendo que "não são golpistas", que "também fazem parte do país" e que "também querem democracia".

Na terça-feira, milhares de pessoas compareceram a um ato, convocado pelo governo, de apoio à presidente na Praça de Mayo, em Buenos Aires. Na ocasião, Cristina fez o seu quarto discurso em uma semana e voltou a pedir a suspensão dos bloqueios.

Os discursos foram mostrados ao vivo pelas principais emissoras de televisão da Argentina, como C5N e TN (Todo Noticias). Os organizadores do encontro estimaram que 30 mil pessoas participaram da manifestação.

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