R.Unido usa lei antiterrorista para investigar infrações banais

Londres, 26 mar (EFE).- Os poderes especiais de vigilância assumidos pelo Governo do Reino Unido em sua luta antiterrorista foram usados até para perseguir donos de cachorros que não recolhem as fezes de seus animais, diz um documento obtido por um partido da oposição.

EFE |

Segundo informações obtidas pelo Partido Liberal-Democrata com o amparo da lei de liberdade de informação, esses poderes foram usados em cerca de dez mil ocasiões para investigar delitos de pouca importância.

Entre os crimes investigados estão casos de comércio ambulante ilegal, abusos nas tarifas cobradas por taxistas ou mesmo o roubo da iluminação de uma árvore de Natal.

Apenas 9% das investigações feitas com uso desses poderes especiais levaram a alguma punição.

Segundo os liberal-democratas, essa lei representa um novo desgaste das liberdades civis no Reino Unido.

Quando o chamado Ato de Regulação sobre Poderes de Investigação entrou em vigor no Reino Unido, apenas nove órgãos podiam utilizá-lo, entre eles a Polícia e os demais serviços de segurança.

Entretanto, de acordo com a parlamentar liberal-democrata Julia Goldsworthy, atualmente cerca de 800 entes públicos do Reino Unido recorrem a essa legislação.

"Para este Governo, as liberdades civis não são mais que um inconveniente provisório. De modo lento, mas constante, essas liberdades estão sendo destruídas", disse Goldsworthy.

Segundo a parlamentar, "esses poderes de vigilância deveriam ser utilizadas apenas para crimes graves e com uso de mandato judicial".

EFE jr/bba

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