R.Unido teria cogitado ataque químico a Tóquio na Segunda Guerra Mundial

Londres, 25 jun (EFE).- O Reino Unido estudou lançar um ataque químico a Tóquio quase um ano antes dos bombardeios dos Estados Unidos das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, que provocaram a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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Os detalhes da eventual ofensiva aparecem em um memorando secreto revelado hoje pelos Arquivos Nacionais, após permanecer fora do alcance público durante os últimos 65 anos.

Embora o plano nunca tenha sido colocado em prática, o documento, que considera "que vale a pena avaliar os possíveis efeitos de um ataque com bombas químicas em Tóquio", estabelece medidas para garantir um ataque que tivesse impacto devastador na capital japonesa.

O aparente arquiteto do ataque, chamado apenas de "professor Brunt", recomenda que os primeiros bombardeios fossem em edifícios densamente povoados, com uso de bombas incendiárias "suficientes para atear fogo em grandes áreas".

Uma vez destruídos esses edifícios, "Brunt", com base em dados facilitados pelo "Diretor de Inteligência Militar e do Ministério da Guerra", sugere um ataque com gás nas "ruas mais modernas".

No entanto, o analista admitiu que a estrutura da cidade poderia dificultar a operação bélica.

"Nas áreas de edifícios de estilo japonês com muitas construções, onde as ruas são estreitas, o fluxo do gás poderia ser obstaculizado", argumenta "Brunt".

O memorando também examina o impacto do clima japonês no possível ataque e conclui que o frio do inverno poderia amortecer o efeito do gás mostarda. Seria também usado o fosfogeno, gás tóxico que pode ser usado como arma de guerra química.

Tanto o gás mostarda como o fosfogeno produziriam, "sem dúvida, baixas consideráveis", informa o documento.

O arquivo vem acompanhado de um relatório feito em 3 de novembro de 1944, sobre a estrutura das Forças Armadas do Japão, que explica que as táticas do país têm uma "tendência alemã".

Segundo Mark Dunton, especialista em História Contemporânea dos Arquivos Nacionais, a descoberta demonstra que o Reino Unido poderia ter se antecipado aos Estados Unidos ao idealizar um método para forçar o Japão a se render.

Dunton considerou "horrível" que "a tentativa de analisar o efeito de um ataque químico na população civil seja descrito de uma forma tão objetiva". EFE.

pa/dp

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