R.Unido pressiona Israel a frear construção em territórios palestinos

Pedro Alonso. Londres, 25 ago (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu hoje em Londres ao chefe do Governo israelense, Benjamin Netanyahu, para deter a construção de assentamentos em território palestino, alegando que essas obras constituem uma barreira para a solução do conflito.

EFE |

Em entrevista coletiva conjunta concedida depois de se reunir com Netanyahu em seu escritório de Downing Street, o premiê britânico disse compartilhar com seu colega a ideia de uma "Israel segura e com confiança" aceita por uma "Palestina que seja segura e viável".

Brown também apoiou "as recentes movimentações (israelenses) para retirar postos de controle na Cisjordânia", pois "é preciso permitir que a economia palestina prospere", e destacou que "o diálogo político deveria estar amparado por um plano econômico".

O chefe do Executivo britânico ressaltou que "a atividade dos assentamentos é uma barreira para a solução dos dois Estados".

"Estou cada vez mais convencido, porém, de que há uma verdadeira vontade de avançar, mas a detenção dessas atividades derivaria em passos significativos rumo a uma normalização com os Estados árabes", acrescentou Brown.

Assim como o Governo britânico, a Administração do presidente americano, Barack Obama, exige que Israel interrompa a construção de assentamentos em zonas palestinas como condição para reativar as negociações de paz.

O premiê israelense, porém, que entrou em Downing Street por uma porta dos fundos devido a uma manifestação pró-palestinos convocada na entrada principal, demonstrou hoje reticência em aceitar essa exigência, apesar de ter reiterado "o compromisso de Israel para com a paz".

Netanyahu defendeu que "o tema dos assentamentos está pendente e é um dos assuntos que devem ser resolvidos nas negociações, junto ao reconhecimento palestino do Estado judeu e uma efetiva desmilitarização (palestina) para um futuro acordo de paz".

Sobre a expansão israelense em Jerusalém Oriental - que Israel anexou após a Guerra dos Seis Dias, em 1967 -, o governante judeu não fez rodeios: "Jerusalém é a capital soberana de Israel e não aceitamos limitação alguma sobre nossa soberania. Jerusalém não é um assentamento", afirmou.

Apesar de tudo, Netanyahu assegurou ter uma "fórmula vencedora para a paz", que consiste em "um Estado palestino desmilitarizado que reconheça o Estado de Israel".

"Estamos trabalhando duro para conseguir avanços em um processo de paz que conduza a um verdadeiro resultado de paz. Esperamos avançar nas próximas semanas e meses", afirmou o líder israelense, enquanto o Governo dos Estados Unidos trabalha em um plano de paz para a região que deve ser apresentado até dezembro.

Netanyahu também insistiu no desmantelamento de "147 postos de controle" na Cisjordânia "para facilitar o movimento", e reivindicou "ações similares" por parte dos palestinos.

"Esperamos que nossos parceiros palestinos tenham coragem para avançar. Tem que haver um parceiro corajoso do outro lado. É essencial que a liderança palestina diga ao povo palestino que deve aceitar Israel como um Estado-nação".

Os dois primeiros-ministros também falaram sobre a polêmica nuclear do Irã e condenaram qualquer tentativa da República Islâmica de possuir uma bomba atômica.

"Compartilhamos a inquietação de Israel sobre a ambição iraniana de desenvolver uma arma nuclear", afirmou Brown, que ameaçou adotar mais sanções contra o Irã, a menos que coopere com a comunidade internacional.

Netanyahu ressaltou "a necessidade de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares", já que "essas armas representam uma grande ameaça para Israel, à região e ao mundo".

Londres é a primeira escala de uma viagem de quatro dias que Netanyahu faz à Europa. O premiê israelense aproveitará para se reunir amanhã, também em Londres, com o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell.

Na quinta-feira, Netanyahu se reunirá em Berlim com a chanceler alemã, Angela Merkel. EFE pa/db

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