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R.Unido pede a Israel que colabore para esclarecer caso Mabhouh

Londres, 18 fev (EFE).- O Governo do Reino Unido pediu hoje a Israel que colabore ativamente com a investigação para esclarecer por que seis dos 11 supostos autores do assassinato de Mahmoud al-Mabhouh, líder do movimento islâmico Hamas, levavam passaportes britânicos falsos.

EFE |

Após convocar o embaixador de Israel em Londres, Ron Prosor, o ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, qualificou de "escândalo" a falsificação de documentos oficiais britânicos e assegurou que o assunto será investigado com todos os efeitos.

"Chegaremos até o fundo", afirmou o chefe da diplomacia britânica, horas depois que as autoridades de Dubai se mostraram convencidas de que o Mossad (serviço secreto israelense) esteve por trás do assassinato.

A Chancelaria esclareceu que a convocação do embaixador tinha por objetivo de saber o Governo israelense sobre esse caso, dado que os cidadãos britânicos cujas identidades foram clonadas nos passaportes falsos vivem de maneira regular em Israel ou têm dupla nacionalidade.

Em declaração muito medida e muito diplomática, Miliband se negou a revelar o tratado na reunião de 20 minutos entre Prosor e o chefe de seu serviço diplomático, Peter Ricketts.

"É muito importante que não façamos acusações até que saibamos que estão bem fundamentadas", declarou o responsável de Exteriores, que advertiu no entanto que "qualquer intromissão no sistema britânico de passaportes é um escândalo".

"Levamos este caso de maneira extremamente séria. A integridade de nosso sistema é crucial", acrescentou.

O representante diplomático de Israel, cujo Governo nega as acusações, se limitou a dizer que não podia "apresentar informações adicionais" à imprensa.

O mesmo fez em Dublin o embaixador israelense Zion Evrony, que afirmou não saber nada sobre o assassinato de al-Mabhouh, encontrado morto em um hotel de Dubai em 20 de janeiro passado, e sobre o uso fraudulento de três passaportes irlandeses na operação.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, também afirmou que o ocorrido em Dubai "é um assunto que é preciso investigar".

"É preciso saber o que ocorreu com os passaportes britânicos. É preciso realizar uma investigação antes de tirar conclusões", declarou.

Além da tensão diplomática, o caso gerou uma pequena tempestade política em Londres, já que a oposição conservadora sugeriu que o Governo soube do uso de passaportes britânicos falsos antes que o assunto fosse divulgado publicamente.

"Houve informações no Golfo, inclusive uma publicada pelo periódico 'Gulf News', no final de janeiro, de que a Polícia de Dubai tinha pedido ajuda a consulados e embaixadas para investigar os suspeitos", manifestou William Hague, responsável de política externa do Partido Conservador.

Hague opinou que Israel deveria divulgar uma "declaração sólida" na qual assegure que condena a falsificação de passaportes britânicos para não distorcer a relação bilateral.

Ninguém se atreveu a acusar diretamente Israel da operação de 20 de janeiro passado, embora o presidente da comissão de Assuntos Exteriores dos Comuns, o trabalhista Mike Gapes, lembrou na quarta-feira que "Israel tem um histórico de assassinatos de líderes do Hamas, uma política de assassinatos seletivos".

Se o Mossad for confirmado como responsável, essa não seria a primeira vez que o serviço secreto israelense usou passaportes britânicos falsos para suas operações.

Oito documentos de identificação britânicos falsos, junto a documentos que os vinculavam a Israel, foram encontrados nos anos 80 por acaso em uma cabine de telefone da Alemanha e entregues à embaixada do Reino Unido.

O assunto levou o Ministério do Exterior britânico a convocar o embaixador de Israel em Londres e que o Governo desse país se comprometesse com o Reino Unido em 1986 de que não voltaria a falsificar documentos britânicos para suas operações secretas.

Também nos anos 70 o Governo britânico protestou perante Israel, depois que uma agente do Mossad utilizou um documento falsificado para viajar ao Líbano e assassinar o dirigente palestino acusado de organizar o massacre dos Jogos Olímpicos de Munique em 1972. EFE fpb/sa

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