R.Unido mantém objeções a novas regras financeiras na UE

Luxemburgo, 9 jun (EFE).- A adoção de um novo sistema de supervisão financeira na União Europeia (UE) continua sem ter o apoio do Reino Unido, que ainda não digeriu a ideia de repassar a novos organismos supranacionais o trabalho de vigilância e fiscalização sobre o setor.

EFE |

Os ministros de Finanças da UE (Ecofin) discutiram hoje, em Luxemburgo, as propostas da Comissão Europeia (órgão executivo do bloco) para reformar o modelo de supervisão nos países-membros.

Embora tenha ficado claro o apoio da maioria às ideias apresentadas, também foi constatado que várias questões seguem sem resposta.

A criação de um Conselho Europeu de Riscos Sistêmicos, apoiado na estrutura do Banco Central Europeu (BCE) e encarregado de vigiar a estabilidade do sistema financeiro e de emitir alertas e recomendações em caso de ameaças, é uma das propostas feitas.

Outra ideia foi a fundação de um sistema europeu de supervisores.

Integrado por três novas autoridades, este mecanismo fiscalizaria as bolsas de valores, os bancos e as seguradoras. Porém, não ficaria a cargo da vigilância diária das entidades, responsabilidade que continuaria sendo das autoridades nacionais.

Desde o início dos debates sobre estas medidas, o Reino Unido manteve uma postura muito reticente. Hoje, na reunião com seus colegas da UE, o ministro britânico, Alistair Darling, voltou a manifestar as reservas do paíss.

Londres questiona, em primeiro lugar, como as novas autoridades vão proceder quando tiverem que mediar disputas entre supervisores nacionais. Segundo fontes do bloco, Darling chamou a atenção para isto durante a reunião e destacou que é preciso continuar discutindo esse ponto.

Os britânicos também resistem à vinculação direta do Conselho Europeu de Riscos Sistêmicos ao BCE. Inicialmente, o presidente do banco seria o titular do conselho. Mas, para diminuir oposição do Reino Unido, cogita-se passar o novo posto ao presidente do Banco Central de algum país de fora da zona do euro.

O ministro de Finanças da República Tcheca, Eduard Janota, cujo país encontra-se à frente Presidência rotativa da UE, admitiu em entrevista coletiva que ainda há diferenças. Porém, destacou que os países "não estão longe de um consenso".

Segundo Janota, as questões pendentes terão que ser resolvidas na próxima cúpula de chefes de Estado e de Governo da UE, que acontece nos dias 18 e 19, em Bruxelas.

O ambicioso objetivo da Comissão Europeia é fazer o novo modelo entrar em vigor já em 2010. Para isso, planeja começar a colocar as novas normas no papel assim que obtiver o sinal verde dos líderes do bloco.

No encontro de hoje, os ministros de Finanças também debateram a efetividade dos planos de estímulo econômico adotados contra a crise. "Achamos que foram efetivos e que não são necessários novos estímulos", ressaltou Janota.

Também foi discutido o resultado dos planos de apoio ao setor financeiro, aos quais os países destinaram até agora US$ 1,48 trilhão de euros. EFE epn/sc

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