Bruxelas, 27 jul (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores do Reino Unido, David Miliband, defendeu hoje uma estratégia política contra os rebeldes no Afeganistão que inclua incentivos para a integração e a reconciliação dos talibãs moderados.

A longo prazo, isso significa "diferenciar os que querem a lei islâmica em nível local dos comprometidos com a luta armada violenta em nível global". Na prática, os primeiros receberiam um "papel suficiente na política local" e, em troca, deixariam de enfrentar o Governo de Cabul.

A estratégia do Reino Unido para o Afeganistão foi feita durante um discurso na sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a poucas semanas das eleições presidenciais no país asiático e no fim de um mês especialmente sangrento para as tropas britânicas nele posicionadas.

A ideia de estender a mão aos talibãs moderados foi defendida pela primeira vez em março deste ano, pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Hoje, Miliband apoiou-a e desenvolveu-a diante de diplomatas, militares e jornalistas.

Segundo o chefe da diplomacia britânica, os comandantes e guerrilheiros talibãs estão muito desgastados militarmente nos dois lados da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.

"Temos que ajudar o Governo afegão a explorar esta oportunidade, com um esforço mais coerente dirigido a fragmentar os diferentes elementos da insurgência, e fazer com que mudem de lado aqueles que podem viver sob a Constituição afegã", argumentou.

A base para essa integração e reconciliação, explicou Miliband, "é muito simples: mais incentivos para os que mudarem de lado e deixarem a luta, e uma ação mais severa contra os que se recusarem".

Em relação aos combatentes comuns, o ministro pediu ao Governo afegão iniciativas efetivas que suponham para eles uma alternativa real ao combate.

"Isso se traduz numa via clara para que os guerrilheiros possam voltar a seus povoados e a seus campos, ou até mesmo um papel para alguns deles dentro das legítimas forças de segurança afegãs".

Quanto aos líderes talibãs e aos seus subordinados imediatos, o ministro propôs que o Governo afegão, com ajuda internacional, separe os ideólogos mais resistentes e violentos daqueles que podem ser absorvidos na política interna.

Miliband lembrou que a história afegã tem um precedente de reconciliação: "Os inimigos de sangue do período soviético e da guerra civil agora trabalham juntos no Governo".

"Antigos talibãs hoje se sentam no Parlamento. E o mulá Salam deixou os talibãs no fim de 2007 para virar governador do distrito de Musa Qala".

"Não há nenhuma razão", destacou Miliband, "para que vários membros da atual guerrilha não sigam este exemplo se estão dispostos a participar de um futuro pacífico e aceitam a Constituição afegã".

O ministro também pediu que o próximo Governo afegão deixe esta possibilidade clara e "trabalhe para estabelecer um processo de reintegração ao longo do país". EFE jms/sc

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