Londres, 20 fev (EFE).- Binyam Mohammed, o etíope com residência britânica detido em Guantánamo, poderá retornar ao Reino Unido assim que terminarem as gestões práticas, anunciou hoje o ministro de Exteriores britânico, David Miliband.

Miliband disse, em comunicado, que seu Governo e o americano haviam "alcançado um acordo" para a transferência do jovem, que poderia chegar ao Reino Unido, onde tem status de refugiado, ao longo da próxima semana.

Mohammed, de 30 anos, está há quatro detido no campo de detenção dos Estados Unidos na baía cubana de Guantánamo, e é o último preso com direito a solicitar retorno ao Reino Unido.

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) expressou hoje seu "grande alívio" pela libertação e pediu que seja feito o mesmo com os outros prisioneiros retidos no centro americano.

O grupo contra a tortura e a pena de morte Reprieve, assessores legais de Mohammed, disse que "é uma notícia maravilhosa" para ele, que "só quer voltar a uma vida normal" no Reino Unido.

Em 11 de fevereiro, o etíope colocou fim à greve de fome que tinha começado em 5 de janeiro para condenar a situação, após receber a visita de um grupo de funcionários e médicos britânicos que negociavam sua libertação.

O ministro britânico disse recentemente que Washington tinha aceitado dar prioridade ao expediente do jovem, cujo caso gerou grande polêmica, após se saber que foi vítima de torturas.

O caso de Mohammed foi objeto de polêmica há poucos dias, depois que dois juízes britânicos revelaram que os Estados Unidos ameaçaram reconsiderar a cooperação em matéria antiterrorista com o Reino Unido, se uma informação secreta sobre a suposta tortura ao detido fosse à tona.

Miliband disse então que revelar o conteúdo desses documentos contra os desejos das autoridades americanas poderia causar um dano "real e significativo" à segurança nacional. EFE vg/an

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