(Atualiza com declarações de David Miliband) Londres, 8 ago (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, condenou hoje a decisão das autoridades iranianas de processar um funcionário da Embaixada do Reino Unido em Teerã.

Em comunicado oficial, Miliband se declarou "muito preocupado" com esse processo judicial, que "oferece mais descrédito ao regime iraniano".

Hossein Rassam, analista chefe de política da missão diplomática britânica, fazia parte dos nove trabalhadores locais da embaixada do Reino Unido detidos pela suposta participação nos protestos após as polêmicas eleições presidenciais de 12 de junho, mas todos foram libertados.

Na opinião de Miliband, as acusações de espionagem e conspiração formuladas contra Rassam são "injustificadas", pois o analista apenas cumpriu seus "deveres legítimos" como membro da embaixada britânica.

O ministro britânico também disse que tratou o assunto com o titular de Exteriores francês, Bernard Kouchner, cujo país conta também com duas pessoas acusadas no julgamento: Nazak Afshar, empregada iraniana de sua embaixada em Teerã, e a professora francesa Clotilde Reiss.

Além disso, Miliband falou sobre o caso com o ministro de Exteriores sueco, Carl Bildt, cujo país está na Presidência rotativa da União Europeia (UE).

"Reafirmamos nossa solidariedade perante esta última provocação iraniana", disse o chefe da diplomacia britânica, sobre os contatos mantidos com seus colegas europeus.

Antes, o Ministério de Exteriores britânico tinha afirmado que "isso é completamente inaceitável e contradiz diretamente as garantias que recebemos de forma repetida por altos funcionários iranianos".

"Lamentamos esses julgamentos e as chamadas confissões dos prisioneiros, aos quais foram negados seus direitos humanos básicos", ressaltou a mesma fonte.

"Nosso embaixador em Teerã demandou um pronto esclarecimento da postura das autoridades iranianas. Então decidiremos como responder a este último disparate", acrescentou.

O anúncio do resultado das eleições presidenciais de 12 de junho, qualificadas de fraudulentas por três dos quatro candidatos, provocou grandes manifestações e distúrbios no Irã.

Os protestos convocados pelo candidato reformista Mir Hussein Moussavi foram reprimidos duramente pela Polícia iraniana, com um resultado de pelo menos 20 mortos e milhares de detidos, segundo os dados oficiais. EFE pa/an

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