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Rumo ao Iraque, Obama vê na guerra desvio de atenção

O virtual candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, enfatizou nesta terça-feira a tese de que a Guerra no Iraque é um desvio de atenção em relação ao conflito que deveria ser uma prioridade para os americanos: o do Afeganistão. O senador fez um discurso sobre o assunto em Washington, na sede do instituto de pesquisas políticas Woodrow Wilson Center, dias antes de partir rumo a uma viagem que o levará ao Iraque e ao Afeganistão, além de Grã-Bretanha, França, Alemanha, Israel e Jordânia.

BBC Brasil |

"Imaginem, por um momento, o que poderíamos ter feito naqueles dias, meses e anos após (os atentados de) 11 de setembro", afirmou Obama. "Poderíamos ter usado o pleno poder americano para caçar e destruir Osama Bin Laden, o Talebã e todos os terroristas responsáveis por 11 de setembro, e, enquanto isso, dado apoio à segurança real no Afeganistão."

"Mas, em vez disso, perdemos milhares de vidas americanas, gastamos quase US$ 1 trilhão, alienamos aliados e negligenciamos ameaças", acrescentou. "Tudo em nome de lutar uma guerra por mais de cinco anos em um país que não tinha nada a ver com os atentados de 11 de setembro."

Retirada

O democrata assegurou que vai retirar as forças americanas do Iraque, mas enfatizou que isso se dará de forma gradual.

"Darei aos nossos militares uma nova missão em meu primeiro dia de mandato: pôr um fim a esta guerra", disse. "Deixem-me ser claro: precisamos ser tão cuidadosos ao sair do Iraque como fomos descuidados ao entrar lá."
"Podemos, com segurança, transferir nossas brigadas de combate a um ritmo que permitiria sua retirada em 16 meses", acrescentou.

"Isso se daria no verão de 2010", continuou Obama. "Um ano após as forças de segurança do Iraque terem sido preparadas, dentro de dois anos e mais de sete anos após o início da guerra."

O democrata também deu estocadas no virtual candidato republicano à Presidência americana, John McCain, e voltou a associar as posições de política externa de seu rival com as do presidente George W. Bush.

"George Bush e John McCain não têm uma estratégia de sucesso no Iraque", disse Obama. "Eles têm uma estratégia para permanecer no Iraque."

"Eles diziam que nós não poderíamos deixar o país quando a violência estava elevada", acrescentou. "Agora, dizem que não podemos deixar o país enquanto a violência estiver baixa."

Cortejo europeu

Além de criticar o rival, Obama aproveitou para cortejar nações européias com referências elogiosas ao trabalho desempenhado pela Otan no Afeganistão.

"O senador McCain disse, apenas meses atrás, que o Afeganistão não está em apuros devido ao nosso desvio de atenção no Iraque", afirmou. "Eu não poderia discordar mais."

"Nossas tropas e nossos aliados da Otan estão tendo um desempenho heróico no Afeganistão, mas venho argumentando há anos que não contamos com os recursos dos quais necessitamos para terminarmos o nosso trabalho devido ao nosso compromisso com o Iraque."
Obama voltou a recordar os laços históricos entre americanos e europeus ao lembrar de George Marshall, o general americano que deu nome ao plano econômico que ajudou na reconstrução de nações da Europa aliadas dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.

Intenções

Em linhas gerais, o discurso do senador procurou frisar as credenciais de Obama como um líder gabaritado em temas de política internacional e distanciar o democrata da imagem de inexperiente à qual o o rival McCain tenta atrelá-lo.

Obama também tentou se mostrar um multilateralista em temas internacionais, distante da postura supostamente isolacionista da atual administração americana.

Mas o senador ainda precisará de esforço para dissipar as imagens negativas a ele associadas no que diz respeito ao cenário internacional.

Uma pesquisa recém-divulgada e realizada pelo jornal Washington Post e pela rede de televisão ABC aponta que os americanos estão divididos quando indagados se Obama será um líder eficiente para os militares americanos.

O número dos que disseram que sim, 48%, foi idêntico aos que responderam que não.

McCain

Pouco após o discurso de Obama, John McCain fez um pronunciamento em Albuquerque, no Estado do Novo México, em que fez referências às declarações do rival.

O republicano criticou o fato de o senador democrata traçar estratégias para o Iraque antes de visitar o país ou de se encontrar com o comandante das forças americanas no Iraque, o general David Petraeus.

Segundo McCain, "primeiro, você se depara com os fatos, depois apresenta uma estratégia".

"É uma diferença em relação ao que eu conheço", arrematou o virtual candidato republicano à Casa Branca.

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