Rudd vai disputar liderança com primeira-ministra na Austrália

Ex-chanceler anuncia intenção de enfrentar Julia Gillard pelo posto mais alto do Partido Trabalhista e promete restaurar confiança

iG São Paulo |

O ex-chanceler Kevin Rudd anunciou nesta sexta-feira que pretende disputar a liderança do Partido Trabalhista australiano em uma votação contra a primeira-ministra Julia Gillard, encerrando a disputa que toma conta do governo minoritário dela.

Após especulações: Premiê australiana põe liderança partidária em votação

AP
Ex-chanceler australiano Kevin Rudd concede coletiva em Brisbane, Austrália

Ele prometeu "restaurar a confiança" do povo australiano durante uma coletiva concedida em Brisbane. "Quero concluir o trabalho para o qual o povo australiano me elegeu quando fui eleito por ele para me tornar primeiro-ministro", disse Rudd a jornalistas, alertando que, sob a liderança de Gillard, o trabalhismo corre o risco de sofrer uma dura derrota nas próximas eleições, previstas para até 2013.

Kevin Rudd: Chanceler renuncia e abre crise para premiê da Austrália

Gillard, que substituiu Rudd no cargo de premiê em meio a um golpe partidário em junho de 2010, pediu a votação após semanas de especulação de que ele a desafiaria pelo posto. Em Melbourne, ela pediu aos colegas e partidários por apoio. "Os australianos podem confiar em mim de que sou a pessoa certa para fazer as coisas."

Ela reforçou que trabalhou por "reformas difíceis" em seu período como premiê. "Falar é fácil, fazer é mais difícil", acrescentou.

Após a renúncia de Rudd como chanceler , Gillard colocou sua liderança partidária em teste numa votação marcada para segunda-feira. A decisão dividiu o gabinete e agravou a crise no partido.

A popularidade de Gillard está em baixa por causa de polêmicos projetos legislativos e de concessões a parlamentares independentes e do Partido Verde, que permitem que o trabalhismo governe sem ter maioria.

No entanto, dificilmente ela será derrotada na votação da segunda-feira, porque tem apoio da maior parte da bancada parlamentar, encarregada de tomar a decisão. Rudd, que tem mais popularidade, pediu aos australianos que pressionem seus parlamentares a votarem nele.

O político acrescentou que, se for derrotado, voltará ao Parlamento e não tentará mais recuperar a liderança partidária. Os mercados, que raramente reagem a situações políticas na Austrália, praticamente ignoram a disputa, por verem poucas diferenças entre Rudd e Gillard, e por preverem que a atual crise será resolvida.

"A moral da história é que ainda é um governo trabalhista, e as políticas do governo trabalhista ainda estão em vigor", disse Annette Beacher, chefe de pesquisas da Ásia/Pacífico da TD Securities, em Cingapura.

Com Reuters

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