Berlim, 11 nov (EFE).- O Ministério de Relações Exteriores alemão informou hoje que Ruanda expulsou seu embaixador, após a detenção, no aeroporto de Frankfurt, da assessora do presidente Paul Kagame, Rose Kabuye, em virtude de uma sentença internacional de prisão emitida na França.

O embaixador "deixou o país por desejo do Governo de Ruanda e viaja para Berlim", explicaram fontes de relações Exteriores, segundo as quais anteriormente Ruanda havia retirado seu representante diplomático na Alemanha.

A ordem de prisão, no domingo, da chefe de protocolo e assessora de Kagame foi emitida por suposta implicação no assassinato do ex-presidente de Ruanda Juvenal Habyarimana.

O próprio Kagame visitou hoje Kabuye, que se encontra em uma penitenciária de mulheres de Frankfurt.

O presidente explicou laconicamente, após falar com sua assessora, que ela está bem e disposta a enfrentar o processo a que será submetida na França.

O presidente de Ruanda se encontrava nessa cidade convidado pela Bolsa de Frankfurt e não deve realizar nenhum encontro com as autoridades alemãs.

Kabuye é acusada de integrar uma organização terrorista envolvida no assassinato de Habyarima em 1994.

O juiz francês Jean-Louis Bruguière atribui a Kabuye, dirigente da Frente Patriótica de Ruanda, participação no complô para assassinar o então presidente.

Bruguière ditou nove ordens de detenção contra outros estreitos colaboradores de Kagame, para quem pede processo pelo Tribunal Internacional de Haia por genocídio em Ruanda.

Em 6 de abril de 1994, o avião privado Falcon 50, de Habyarimana, foi derrubado por um míssil nos arredores do aeroporto da capital ruandesa Kigali.

Além dele, morreram o então presidente do Burundi, Cyprien Ntaryamira, e outros altosfuncionários governamentais de ambos os países.

Após a divulgação das ordens de detenção ditadas pelo juiz Bruguière, Ruanda rompeu relações diplomáticas com a França, país que acusa de participar do genocídio de 1994.

Ruanda acusa a França de formar as milícias hutus, que em apenas três meses de 1994 masacraram 800 mil pessoas da etnia tutsi.

O juiz Brugieure afirmou, em sua sentença, que os acusados participaram do assassinato de Habyarimana em 1994, e que este foi a origem desses massacres.

Fontes diplomáticas alemãs assinalaram que as autoridades ruandesas foram informadas no início do mês que Kabuye e quaisquer outros colaboradores de Kagame reivindicados pela justiça francesa seriam detidos se entrassem na Alemanha . EFE gc-jcb/jp

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