Ruanda e RDC acertam colaboração para resolver conflito do leste congolês

Kigali, 14 nov (EFE).- Ruanda e República Democrática do Congo (RDC) acertaram hoje em Kigali normalizar as relações diplomáticas e colaborar para restabelecer a paz no leste congolês e acabar com a ameaça dos grupos armados de origem ruandesa estabelecidos na região.

EFE |

O Ministro de Assuntos Exteriores da RDC, Alexis Tambwe Muamba, foi hoje a Kigali, onde se reuniu com sua colega ruandesa, Rosemary Musemainari, no primeiro encontro público entre altos cargos de ambos os países nos últimos dez anos.

Alexis explicou, no final da reunião, que enviariam uma equipe a sua embaixada em Kigali para "supervisionar se as relações diplomáticas se restabelecem totalmente" entre ambos os países vizinhos, e estabelecer "mecanismos para resolver os principais assuntos que afetam as nações".

Rosemary assegurou que trataram sobre a presença na RDC das Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR), que segundo as acusações feitas por Kigali são protegidas pelo Governo de Kinshasa.

Por sua parte, Kinshasa acusa Kigali de respaldar os rebeldes tutsis congoleses do Congresso Nacional de Defesa do Povo (CNDP), liderado por Laurent Nkunda, que em agosto retomou a luta com as tropas governamentais na província oriental de Kivu Norte, fronteira com Ruanda.

Por outro lado, pediu à RDC "que solucione o problema da Interahamwe", milícia hutu que foi uma das principais protagonistas dos massacres de 800.000 tutsis e hutus moderados ruandeses em 1994 e cujos muitos militantes fugiram para a RDC depois do genocídio e, agora, fazem parte das FDLR.

Alexis declarou que seu Governo está decidido a "acabar com as forças negativas que operam no leste do país, entre as quais estão a Interahmwe, o FDLR e o Movimento Inkingi de Libertação, também acusadas de participar do genocídio ruandês de 1994".

Também admitiu estar em conversas com Laurent Nkunda, líder da guerrilha tutsi do CNDP, uma das quais cujas demandas é o desarmamento dos hutus do FDLR para a proteção de sua própria etnia.

O entendimento entre Kigali e Kinshasa é considerado como um dos pontos-chave para acabar com o conflito no leste da RDC e as permanentes acusações mútuas de estar por trás das guerrilhas em confronto. EFE gk/ma

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