Ruanda acusa França de participar de genocídio de 1994

KIGALI - O governo de Ruanda acusou, nesta terça-feira, a França de ter participado do genocídio que ocorreu no país em 1994, no qual morreram entre 800 mil e um milhão de pessoas, segundo diversas fontes. Um relatório do Ministério da Justiça ruandês implica 30 autoridades francesas, entre eles o ex-presidente François Mitterrand - morto em 1996 -, e afirma que a França sabia dos preparativos do genocídio.

EFE |

O documento acrescenta que tropas francesas treinaram as milícias hutu que mataram centenas de milhares de pessoas da etnia tutsi, assim como hutus moderados.

Houve inclusive soldados franceses implicados nos massacres, segundo o relatório, que também acusa os ex-primeiros-ministros franceses Dominique de Villepin e Edouard Balladur e o ex-ministro de Exteriores Alain Juppé.

Apesar de os Governos da França terem negado reiteradamente desde 2004 envolvimento no genocídio, as autoridades ruandesas pedem no relatório que "sejam levados perante a Justiça os políticos e militares franceses acusados".

O relatório foi divulgado após dois anos de investigação sobre a suposta participação francesa no genocídio e com depoimentos de sobreviventes e estrangeiros que estiveram em Ruanda durante os fatos.

Na França, há quase dez processos abertos contra ruandeses acusados de participar do genocídio, entre eles Agathe Habyarimana, viúva do presidente assassinado Juvénal Habyarimana.

Após o ataque, 937 mil tutsis e hutus politicamente moderados, segundo o último censo do Governo de Kigali, foram massacrados, com facões e armas de fogo, por milícias, soldados do Exército e a própria população civil, encorajada pela emissora extremista rádio "Mil Colinas" e líderes locais.

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