Paris, 27 fev (EFE).- A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu hoje que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) realize uma investigação sobre o escândalo de escutas telefônicas contra jornalistas, magistrados e políticos da oposição colombiana.

Em comunicado, a entidade diz que o fato de o presidente colombiano, Álvaro Uribe, negar "ter a ver com o assunto e o anunciado 'expurgo' no Departamento Administrativo de Segurança (DAS, serviço de inteligência) não podem servir de desculpa para eludir a questão do objetivo e uso destas gravações".

"Não é o primeiro escândalo deste tipo e, mais uma vez, constatamos que alguns dos jornalistas mencionados neste caso são conhecidos por suas críticas ao Governo, às vezes estigmatizados pelo próprio presidente e com frequência vítimas de ameaças", acrescenta a organização.

A RSF afirma que "a própria Presidência da República ordenou as escutas ao DAS, que depende diretamente dela, ou o DAS escapou de seu controle".

Afirma que nas duas "hipóteses está plenamente justificada uma investigação interamericana, pois a parcialidade das autoridades colombianas é evidente".

No último sábado, a revista colombiana "Semana" revelou detalhes das novas interceptações ilegais do DAS contra jornalistas, juristas, políticos opositores e funcionários próximos ao chefe do Estado.

Segundo o semanário, entre as personalidades afetadas estão o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, o secretário-geral da Presidência, Bernardo Moreno, o diretor da Polícia, general Óscar Naranjo, e o responsável pela segurança de Uribe, general Flavio Buitrago.

Também estariam na relação o ex-dirigente César Gaviria (1990-1994) e o ex-presidente da Corte Suprema de Justiça Francisco Javier Ricaurte, que teve fortes divergências com o líder, assim como vários dos jornalistas mais influentes do país. EFE jaf/fal

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