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RSF denuncia investigação incompleta em morte de repórter russa

PARIS - A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) afirmou hoje que a decisão de um júri popular russo de inocentar os três acusados pelo homicídio da jornalista Anna Politkovskaya, em 2006, é consequência de uma investigação incompleta que foi levada precocemente à Justiça.

EFE |

A RSF acrescenta em comunicado que "as irregularidades, as incoerências e a obscuridade observadas ao longo do processo, fechado ao público (mantido em sigilo) em diversas ocasiões e marcado por escândalos desde o início", não permitem considerar o caso "resolvido".

Os membros do júri opinaram por unanimidade que a acusação não tinha demonstrado a culpa de dois irmãos chechenos, Dzhabrail e Ibraguim Majmudov, e do ex-agente do Ministério do Interior Serguei Khadzhikurbanov.

Rustam Majmudov, irmão de Dzhabrail e Ibraguim e suspeito de ser o autor do disparo que matou a jornalista, está foragido e é procurado pela Interpol há vários meses.

"Fica tudo por fazer", aponta a organização, ressaltando que, com a "ausência do suposto atirador e sem saber a identidade de que financiou a execução, é impossível saber quem ordenou o crime e por que o fez".

A RSF acrescenta que a morte de Politkovskaya é "uma amostra emblemática da situação dos jornalistas investigativos e defensores dos direitos humanos na Rússia, pois nos lembra a violência à qual estão expostos".

Politkovskaya, que nasceu em Nova York em 1958, foi morta quando apurava uma matéria sobre torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicada por seus companheiros da revista "Novaya Gazeta" cinco dias após sua morte.

A jornalista denunciou em diversas ocasiões que recebera ameaças de morte dos serviços secretos russos, do Exército e de outros órgãos de segurança do Estado.

A RSF lembrou que a Rússia ocupa o 141º lugar no ranking de liberdade de imprensa no mundo que ela elabora anualmente.

Ao todo, 20 jornalistas foram mortos nesse país desde 2000 em consequência de sua atividade profissional.

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