(embargada até as 19h01 de 2 de maio em Brasília) Paris, 1 mai (EFE) - As ameaças da ETA aos jornalistas no País Basco espanhol e as das máfias no sul da Itália, de paramilitares na Irlanda do Norte ou de islamitas na Dinamarca são denunciadas pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em um relatório sobre a liberdade de imprensa na União Européia (UE). O estudo Europa: jornalistas em perigo, publicado por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado em 3 de maio, é fruto da primeira investigação realizada pela RSF das situações mais preocupantes registradas no espaço europeu. Na UE existe uma liberdade real. Não há qualquer jornalista assassinado por ordem de um Estado, nenhum preso, e desapareceu a censura oficial.

Os veículos de comunicação expressam opiniões diversas e geralmente o pluralismo das idéias está garantido", afirma a organização.

"No entanto, a situação não é perfeita. Ameaças voltadas a jornalistas, tentativas de assassinato por parte de grupos privados, agressões, intimidação das famílias: estes tipos de fatos, de uma especial gravidade, existem hoje no espaço europeu", indica.

Por outra parte, pede "vigilância" perante a concentração da imprensa, "excessiva em alguns países", e denuncia "falhas" legislativas na proteção do sigilo das fontes.

No País Basco na Espanha, os jornalistas "suportam, em algumas ocasiões há muitos anos, as intimidações da organização terrorista" ETA, que obriga muitos repórteres a terem segurança (cerca de 40 têm proteção oficial, segundo o Governo basco), e outros são obrigados a deixar a nação.

O jornalista Gorka Landaburu, que perdeu vários dedos e a visão de um olho em um atentado com pacote-bomba em 2001, um ano depois de a ETA assassinar José Luis López de Lacalle, fala de uma "vida em semi-liberdade", enquanto Carmen Gurruchaga diz que o grupo lhe roubou "sua vida, seus amigos e sua cidade".

Na Itália, as ameaças procedem das máfias que atuam no sul do país.

"Cerca de dez jornalistas trabalham com proteção oficial. As ameaças, cartas anônimas, pneus furados e carros alvejados são contados às centenas. Todos os jornalistas que escrevem sobre as atividades da máfia receberam, em um momento ou outro, uma mensagem, um sinal, advertindo-os de que estão sendo vigiados", afirma RSF.

Na periferia francesa, os repórteres correm risco de sofrer violências físicas.

Desde a onda de violência em dezenas de bairros conflituosos em novembro de 2005, a situação é preocupante, principalmente na região de Paris: dezenas de fotógrafos, cinegrafistas e repórteres sofreram algum tipo de agressão, indica a RSF.

Na Irlanda do Norte, vários repórteres continuam recebendo ameaças de morte, apesar da formação, em 2007, de um Governo regional que reúne unionistas e republicanos, e uma bala foi enviada há pouco tempo a uma redação com o nome e endereço de um jornalista.

As ameaças costumam proceder de grupos paramilitares unionistas com freqüência envolvidos em tráficos de droga e extorsão, mas também há intimidações por parte de dissidentes do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Na Dinamarca, islamitas fundamentalistas ameaçam de morte jornalistas e chargistas, desde a publicação das polêmicas caricaturas de Maomé.

Após indicar que também houve violência contra jornalistas em Suécia, Bulgária, Romênia, Hungria, República Tcheca e Chipre, a RSF conclui que "é impossível contabilizar de maneira exaustiva todos os casos, mas as ameaças sérias, agressões e intimidações diretas são contadas às centenas em toda a Europa". EFE al/db

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