RSF acusa Alcatel de ajudar junta birmanesa a endurecer censura

Paris, 26 mar (EFE).- As ONGs Repórteres sem Fronteiras (RSF) e Sherpa acusaram o grupo franco-americano Alcatel Lucent de ajudar a junta militar de Mianmar a endurecer a censura que exerce na internet com o fornecimento de uma série de equipamentos de filtragem de conteúdos e de e-mails.

EFE |

Em carta comum dirigida ao presidente da Alcatel Lucent, Ben Verwaayen, as duas entidades dizem que a Alcatel Bell Xangai, filial chinesa da companhia, forneceu "assistência técnica e seu know-how ao Governo militar birmanês" e "participou da implantação desses meios de controle".

Por isso, pediram a Verwaayen para que diga se tem intenção de impedir que a filial "continue fornecendo apoio técnico e moral à junta birmanesa" e se tomou medidas para que a ditadura utilize esses meios técnicos "para permitir o controle e a repressão no uso de internet".

RSF e Sherpa reclamaram em particular de que a tecnologia de filtragem da Alcatel Lucent tenha servido, através da filial chinesa, para que as autoridades de Yangun desenvolvessem sua infraestrutura de rede.

Uma infraestrutura que compreende, em particular, a chamada cibercidade de Yadanabon, com o objetivo de "centralizar a totalidade das comunicações eletrônicas" para assim "vigiá-las e inclusive censurá-las".

"A centralização das comunicações só tem interesse em termos de controle, de filtragem e de censura" e as instalações de Alcatel Lucent permitirão às autoridades birmanesas "uma vigilância e uma censura mais eficaz e mais dura", concluíram as organizações em sua carta.

A empresa se defendeu ao destacar que esse tipo de infraestrutura tende a "favorecer o desenvolvimento econômico" de Mianmar e a "contribuir para sua evolução à democracia". EFE ac/bba

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