Roubini alerta para otimismo exagerado nas bolsas

O economista Nouriel Roubini, que tem recebido crédito por prever a atual crise global econômica, alertou em uma entrevista à BBC que o mundo pode estar plantando as sementes da próxima crise. Na opinião do professor da New York University, existe uma disparidade crescente entre o otimismo dos mercados financeiros, que se valorizam a passos largos, e a debilidade da economia real, que se refaz mais gradualmente.

BBC Brasil |

Para ele, a alta não está se dando pela melhora nos fundamentos econômicos da economia global, mas "também devido à barreira de liquidez criada com dinheiro fácil (dos pacotes econômicos) que tem escolhido investir em ativos financeiros".

AFP

Roubini: sementes de nova crise

"Estou preocupado que já estejamos plantando as sementes da próxima crise", alertou.

Nos últimos seis meses, o principal indicador da bolsa de Nova York, o índice Dow Jones, subiu cerca de 45%, em linha com indicadores financeiros ao redor do mundo.

Entretanto, como sinal de que a economia real permanece frágil, o economista lembrou a opinião, externada por muitos analistas, de que a crise que derrubou os preços no mercado imobiliário residencial está agora se alastrando também pelo segmento comercial.

"Eu vejo uma economia na qual consumidores chegaram ao limite de seus gastos, afundados em dívidas, precisam reduzir as despesas e poupar mais", afirmou.

"Em algum ponto no futuro pode haver uma correção. Essa correção está sendo adiada pela barreira de liquidez que tem escolhido investir em ativos financeiros, mas existe uma lacuna entre o que são os preços dos ativos e a economia real. A economia real ainda me parece muito débil."

Reformas

Mas o mundo pode evitar uma nova catástrofe se enfrentar as reformas do sistema financeiro propostas pelo G20, acredita o economista.

Para ele, isto colocaria a trajetória de recuperação econômica "na direção correta de alcançar mais estabilidade financeira: mais liquidez , mais capital, melhor capital, menos alavancagem, lidando com instituições muito grandes para falir, supervisão e regulação global, compensação de bancos".

"A crise não acabou, ainda há muitos danos no sistema financeiro, precisamos realizar essas reformas. Se não realizarmos estas reformas, estamos plantando as sementes da próxima crise", disse.

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