LIMA - O líder opositor venezuelano Manuel Rosales apareceu, nesta quarta-feira, em público na TV, em Lima, e lançou duros ataques contra o presidente Hugo Chávez, sendo repreendido pelo governo peruano, que lhe exigiu que não use o país como palanque político.

Justamente quando o governo peruano avaliava seu pedido de asilo político, Rosales transmitiu uma mensagem na televisão chamando reiteradamente Chávez de "covarde" e "ditadorzinho", no comando de um governo "abusador que viola os direitos humanos civis e pisa na Constituição da Venezuela".

Minutos após concluir a mensagem, o chanceler peruano, José Antonio García Belaúnde, interrompeu um Conselho de Ministros no Palácio de Governo, em Lima, para chamar a atenção de Rosales por haver transmitido um pronunciamento político e insultado Chávez, no país.

"O Peru não pode ser utilizado como palanque político por nenhum estrangeiro, porque isso violaria a própria natureza do asilo político", advertiu Belaúnde, lembrando que seu país é "hospitaleiro" e "respeitador" do direito internacional e das instituições.

Rosales, prefeito de Maracaibo e o principal opositor de Chávez, enfrenta um processo por corrupção na Venezuela que ele alega estar aparelhado pelo governo.

Por isso, decidiu pedir nesta terça-feira asilo político no Peru, país aonde chegou de maneira incógnita no início deste mês.

Nesta quarta, um tribunal venezuelano ordenou a "privação de liberdade" contra o político, fundador do partido opositor Um Tempo Novo (UTN), porque "demonstrou não possuir vontade de se submeter ao processo".

Agora o destino de Rosales está nas mãos do governo peruano, que segundo o chanceler García Belaúnde pode conceder ou negar o asilo político em duas semanas, embora não tenha se esclarecido se a recente mensagem do político venezuelano será levada em consideração no processo.

Em seu discurso, Rosales também ressaltou que se considera um perseguido político.

"Como lutador social não poderia aprovar uma decisão judicial arranjada, manipulada para que me atropelassem, me humilhassem e me destruíssem, e muito menos podia permitir que me assassinem", acrescentou.

"Um democrata não se entrega a um ditador e muito menos a um covarde", afirmou Rosales, prometendo que seguirá "lutando contra o regime chavista" e que seu partido se candidatará às eleições municipais da cidade de Maracaibo.

Além disso, Rosales comprometeu-se a respeitar "o status que possa ter" no Peru, após anunciar que pretende apelar a outros países e a outras instâncias para seguir com seu trabalho de oposição ao presidente Hugo Chávez até que "em breve" possa retornar ao seu país.

Ele afirmou que os elementos apresentados contra ele sobre supostas propriedades no exterior e transferências ilícitas de milhões de dólares são "todas falsas" e desafiou Chávez a apresentar "provas contundentes" contra ele e que investigue os verdadeiros corruptos em seu país.

"Explique-os, Chávez, da corrupção de seu governo, a corrupção mais grave que já houve na história da Venezuela", proclamou.

Em seguida, Rosales manifestou em breves declarações à imprensa que havia escolhido o Peru por sua prosperidade econômica e "por seu respeito às instituições e aos direitos humanos".

Para o político, o Peru "é um dos poucos países que vão crescer (economicamente); há, além disso, uma tendência forte à mudança, a respeito das instituições, dos valores democráticos e dos direitos humanos, e isso nos agrada".

A presença de Rosales em Lima acontece no momento em que as relações entre Peru e Venezuela parecem tomar um bom caminho, após a crise diplomática causada pela troca de insultos, em 2006, entre Chávez e o presidente peruano, Alan García, e Chávez, que culminou na retirada temporária de seus respectivos embaixadores.


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