Ronald Biggs pode ser libertado em julho

Londres, 23 abr (EFE).- A Comissão de Liberdade Condicional do Reino Unido deve decidir em julho se recomenda pôr em liberdade de Ronald Biggs, o ladrão do século pelo assalto ao trem pagador em Glasgow, na Escócia, em 1963, e que viveu cerca de 30 anos no Brasil.

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A comissão analisou hoje o pedido de Biggs para que receba a liberdade antes de completar 80 anos, no dia 8 de agosto.

"A Comissão de Liberdade Condicional reuniu-se hoje para avaliar o caso de Ronald Biggs. Há, no entanto, certos assuntos que precisam ser esclarecidos antes que se possa fazer uma recomendação final", afirmou um porta-voz a entidade.

Segundo ele, a comissão espera que estes assuntos -os quais não especificou- possam ser resolvidos para que se tome uma decisão até julho, quando Biggs terá direito à liberdade condicional por cumprir um terço de sua pena, que é de 30 anos.

"A recomendação será enviada ao ministro da Justiça (Jack Straw), que tem a decisão final", especificou o porta-voz.

Biggs está na prisão de Norwich, no sudeste da Inglaterra, desde 2001, quando decidiu retornar voluntariamente do Brasil, de onde não podia ser deportado por ter um filho brasileiro, Mike, ex-integrante do grupo infantil Turma do Balão Mágico, nos anos 1980, e hoje com 34 anos.

Em declarações à imprensa britânica, Mike, que também viajou para a Inglaterra, para cuidar do caso de Ronald Biggs, disse confiar em que seu pai seja "um homem livre antes de completar 80 anos".

Biggs foi condenado por assaltar, junto com mais 15 pessoas,um trem pagador da Coroa Britânica, coincidentemente no dia de seu aniversário, em 8 de agosto de 1963, levando 2,6 milhões de libras (R$ 8,38 milhões) -na época, a maior soma roubada de uma só vez.

Preso em janeiro do ano seguinte, foi condenado a 30 anos de cadeia, mas fugiu 15 meses depois da prisão de Wandsworth e foi para Paris, onde fez uma cirurgia plástica, e, com um passaporte falso, seguiu para a Austrália.

Após passar por vários países, ele se estabeleceu no Brasil, onde teve Mike com a dançarina brasileira Raimunda de Castro, e não pôde mais ser extraditado, pois a lei brasileira não permite a deportação de um homem, mesmo fugitivo, que tenha um filho nascido no país.

Biggs chegou a ser sequestrado por mercenários britânicos, que o levaram para Barbados, em 1981, a fim de vender sua história ao melhor licitante, mas eles foram descobertos e o ladrão voltou ao Brasil, se tornado uma atração turística alternativa para ingleses que visitavam o Rio de Janeiro e pagavam para conhecê-lo. EFE vg/jp

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