Romney ataca Santorum em debate republicano no Arizona

Após vitórias em primárias e bom desempenho em pesquisas de intenção de voto, ex-senador é principal alvo de ataques

iG São Paulo |

Com bom desempenho nas pesquisas, o ex-senador Rick Santorum foi alvo de ataques do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney durante um debate entre os pré-candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos, realizado na quarta-feira em Mesa, no Arizona. O Estado realiza primárias na próxima terça-feira.

Buscando recuperar o favoritismo na disputa republicana, Romney adotou tom agressivo e colocou Santorum na defensiva. O ex-governador atacou o rival por ter votado a favor do aumento de gastos públicos durante sua passagem pelo Congresso.

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AP
Santorum (esq) e Romney conversam após debate republicano em Mesa, no Arizona (22/02)

Ao mesmo tempo, Romney tentou defender seu legado "conservador" como governador, em uma nova tentativa de aplacar as dúvidas dos republicanos que o consideram moderado demais.

O congressista Ron Paul se uniu aos ataques de Romney e chamou Santorum de “falso conservador” por ter votado a favor de programas federais que agora diz ser contra. Ele foi vaiado pela plateia ao explicar porque votou a favor do programa educacional conhecido como No Child Lef Behind (“nenhuma criança deixada para trás”, em tradução livre), mesmo se opondo a ele.

“O programa ia contra os princípios nos quais acredito, mas, sabem, quando você é parte de uma equipe, às vezes precisa se sacrificar pela equipe”, afirmou, em referência ao fato de que o No Child Left Behind era promovido pelo então presidente George W. Bush (2001-2009) e outros republicanos.

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Ele também foi vaiado ao se defender do ataque de Romney sobre o voto a favor de um projeto de lei que previa enormes gastos públicos, incluindo o financiamento para o Planned Parenthoog, um grupo que faz abortos e ao qual Santorum se opõe fortemente. A explicação do ex-senador foi a de que este era o único meio legislativo para fundar outros programas.

Tentando preservar suas credenciais conservadoras, Santorum aproveitou o debate para reiterar sua defesa aos valores conservadores, criticar o uso de anticoncepcionais e rejeitar o aborto e o casamento homossexual.

O debate no Arizona foi o primeiro em que Santorum concentrou os ataques dos adversários, depois de vencer as prévias em Missouri, Minnesota e Colorado, e de assumir a liderança nas pesquisas nacionais.

Na semana que vem, os pré-candidatos republicanos encaram prévias no Arizona e também em Michigan, Estado no qual Romney nasceu e onde uma vitória é considerada crucial por sua campanha. O ritmo da disputa republicana se acelera no mês que vem, quando 22 Estados realizam suas votações - dez deles no dia 6, a chamada "Super Terça".

O estrategista republicano Ron Bonjean acredita que o debate pode favorecer Romney nas primárias. “Santorum claramente estava tendo dificuldade por ter de pedir desculpas e explicar seus votos no Senado”, afirmou.

Armas para rebeldes sírios

Durante o debate, Romney e Gingrich apoiaram a ideia de armar os rebeldes que lutam contra o presidente da Síria, Bashar Al-Assad.

"Precisamos trabalhar com a Arábia Saudita e com a Turquia para dizer, 'Vocês fornecem o tipo de armamento que é preciso para os rebeldes na Síria'", disse o ex-governador de Massachussetts, argumentando que tal ação é necessária para afastar a Síria do Irã.

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"Se conseguirmos afastar a Síria e o Líbano do Irã, então finalmente teremos a capacidade de fazer com que o Irã recue", disse Romney. Ele afirmou ainda que os EUA devem deixar claro que realizarão ações militares caso o governo iraniano desenvolva armas nucleares.

Gingrich disse que os aliados americanos - os quais ele não nomeou - estavam secretamente ajudando a destruir o regime de Assad, e que havia armamento disponível na região para armar a oposição.

A Casa Branca considera a possibilidade de armar a oposição síria caso uma solução política para o conflito se mostre impossível. Um porta-voz do governo americano, porém, alertou que tal medida poderia contribuir para a militarização da Síria.

Os opositores da proposta de armar os rebeldes sírios afirmam que as forças anti-Assad estão muito divididas e dizem que não está claro quem está no comando.

Com Reuters, AP e EFE

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