Romênia: novo governo é investido no Parlamento

O novo governo romeno de centro-direita do primeiro-ministro Emil Boc foi empossado nesta quarta-feira pelo Parlamento, pondo fim a uma crise política de mais de dois meses.

AFP |

No total, 276 parlamentares contra 135 votaram na equipe proposta por Boc, integrada por membros de seu Partido Democrata Liberal (PDL), pelo Partido da Minoria Húngara (UDMR) e independentes.

"Creio que entramos numa nova etapa da vida democrática na Romênia", afirmou Boc, precisando que seu governo aprovará ainda hoje o projeto de orçamento para 2010.

Essa aprovação é uma das condições exigidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para repassar uma nova parcela de um empréstimo de 20 bilhões de de euros concedido à Romênia para enfrentar os efeitos da crise mundial. A economia romena entrou em grave recessão em 2009.

Também neste Natal, os romenos choram os "heróis" do levantamento anticomunista de dezembro de 1989.

"Dezenas de pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas, depois de presas ou torturadas por terem tido a coragem de pedir Liberdade e Democracia", diz uma associação de vítimas.

No total, 48 pessoas morreram em Bucareste em dezembro de 1989, quando as forças de repressão do exército e da Securitate, a temida polícia política, abriram fogo contra os manifestantes reunidos na praça da Universidade.

Em todo o país, a Revolução fez 1.104 mortos, entre eles 162 antes da fuga de Nicolae Ceausescu e de sua esposa Elena, no dia 22 de dezembro, e 942 após, vítimas de misteriosos "terroristas" segundo alguns, que surgiram de uma confusão reinante no seio do exército.

Nicolae Ceausescu e sua mulher Elena foram julgados sumariamente e executados a tiros no dia 25 de dezembro e, depois disso, poucos ex-dirigentes comunistas foram condenados à prisão.

"Vinte anos depois, nosso sentimento é o de que as autoridades fizeram tudo para abafar a verdade", declarou à AFP o presidente da associação de vítimas, Teodor Maries.

"Em dezembro de 1989 nós tínhamos altos ideais, lutávamos pela liberdade e a democracia e sonhávamos com uma sociedade sem corrupção, na qual a justiça fizesse seu dever", declarou Maries, evocando a "decepção" de inúmeros romenos.

O presidente Traian Basescu, reeleito para um segundo mandato no dia 6 de dezembro passado, prestou juramento no cargo na segunda-feira, quando apresentou seu programa quinquenal de governo.

Segundo Maries, seria desejável a aprovação, pelo novo governo, de uma lei que impedisse os antigos membros comunistas da "nomenklatura" a ocuparem postos importantes no governo.

Ele também espera que os "criminosos de dezembro de 1989" sejam, enfim, levados à justiça. "Senão, a condenação ao comunismo passaria a ser, unicamente, um gesto simbólico".

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