Roma é palco de novos protestos contra reforma no ensino

Roma, 7 nov (EFE) - Os estudantes italianos protagonizaram hoje uma nova onda de protestos em todo o país contra os cortes nos orçamentos universitários e a reforma da educação aprovada pelo Governo conservador do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

EFE |

A cidade de Roma viveu momentos de tensão quando a Polícia tentou impedir que cerca de mil estudantes ocupassem as vias de uma estação de metrô e, nos confrontos, alguns agentes sofreram contusões e um jovem ficou ferido na cabeça por um golpe de cassetete.

Na capital italiana, foram organizadas hoje três manifestações - convocadas pelas universidades Roma Tre e La Sapienza e pelos colégios - nas quais, segundo os organizadores, cerca de 25 mil estudantes participaram.

Ao grito de "Nós não pagamos pela crise", que se transformou no slogan do protesto estudantil, os jovens marcharam pelo centro de Roma, o que provocou grandes problemas de circulação.

Um grupo de cerca de mil jovens se afastou do percurso previsto e se dirigiu à uma estação de metrô para tentar ocupar as vias, quando, de acordo com os estudantes, eles foram agredidos por policiais.

Fontes da Polícia desmentiram que teriam agredido os estudantes e os acusaram de lançar garrafas e objetos contra eles.

Após alguns dias de tranqüilidade, os estudantes voltaram a tomar as ruas da Itália para protestar contra a lei, aprovada em 29 de outubro, que prevê algumas mudanças no sistema escolar.

Entre eles, introduz a nota de comportamento como requisito de aprovação, e faz com que os alunos de entre 6 e 11 anos voltem a ter apenas um professor para todas as matérias, exceto em inglês, informática e religião.

Paralelamente, se prevê o corte de quase 100 mil postos de trabalho entre professores e profissionais não docentes, ao não substituir cerca de 80% dos trabalhadores que se aposentarão.

Por sua vez, os universitários se opõem às supressões dos docentes dos centros de educação superior e ao corte de 1,5 bilhão de euros nos orçamentos para os próximos cinco anos, o que afetará a pesquisa.

Ao apresentar um novo projeto de lei para reformar a universidade, a ministra de Educação italiana, Mariastella Gelmini, afirmou ontem que "os cortes já anunciados vão permanecer", mas com esta norma "serão menos dolorosos".

A reforma prevê "a racionalização dos estudos, a eliminação dos cursos com um só estudante e a diminuição das sedes autônomas" para economizar nos gastos públicos universitários.

O projeto de lei de reforma universitária não acalmou os ânimos e, assim, em Milão, no norte do país, milhares de pessoas, entre estudantes, professores e empregados do setor da educação se concentraram hoje na Piazza del Duomo para continuar os protestos dos últimos dias.

As manifestações se repetiram nas principais cidades do país como Turim, Pisa, Florença, Nápoles e Cagliari e os estudantes garantiram que os protestos continuarão. EFE ccg/ab/db

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