Roma deixou povos conquistados mais vulneráveis ao vírus da aids, diz estudo

Londres, 4 set (EFE).- O Império Romano tornou as populações dos países que conquistou mais vulneráveis ao vírus da aids, diz um estudo de pesquisadores franceses.

EFE |

Isto poderia explicar, segundo artigo publicado na revista "New Scientist", a razão de um gene que confere resistência à aids variar em freqüência de um país para outro no continente europeu.

Trata-se do gene que codifica (ou seja, contém as instruções para sintetizar) um receptor de proteína conhecido como CCRS.

Uma variante do gene, chamada CCR5-Delta32, carece de 32 pares de bases de DNA e produz um receptor que não pode se ligar ao HIV, o que impede que o vírus penetre nas células.

As pessoas que têm esta variante apresentam certa resistência à infecção pelo vírus da aids e demoram mais para desenvolverem a doença.

Em geral, apenas europeus e pessoas que vivem no oeste da Ásia têm esta variante, menos freqüente quando uma região está mais ao sul.

No entanto, as mudanças na freqüência da variante refletem as alterações sofridas pelas fronteiras do Império Romano de 500 a.C. a 500 d.C., afirmou Eric Faure, da Universidade da Provença, em Marselha (França).

Faure e sua colega Manuela Royer-Carenzi pesquisaram a possível relação entre a colonização romana e a freqüência da variante CCR5-Delta32 em cerca de 19 mil amostras de DNA de toda a Europa e descobriram que a variante em questão era menos freqüente nas regiões conquistadas pelos romanos.

Há outras teorias para explicar a desigual distribuição da resistência, como a que a variante protetora se originou na Escandinávia e foram os vikings que a espalharam pelo norte e pelo leste. No entanto, as migrações dos vikings não correspondem à distribuição atual da variante.

Outra teoria é a de que uma epidemia, de peste ou varíola, criou uma pressão seletiva sobre a variante e aumentou sua freqüência, mas a distribuição atual também não coincide neste caso com os focos epidêmicos.

Faure não acredita que os romanos disseminaram a versão normal do gene em suas colônias ao se relacionarem com os bárbaros, pois o fluxo de genes entre conquistadores e população local era muito reduzido.

Pelo contrário, o investigador francês crê que os romanos introduziram uma doença à qual as pessoas com a variante CCR5-Delta32 foram particularmente suscetíveis e que, conforme avançou a conquista em direção ao norte, foi acabando com estes indivíduos.

Os romanos não levaram apenas gatos e burros para os povos conquistados, o que facilitou a transmissão de organismos patogênicos aos humanos, mas também mosquitos causadores de doenças.

Curiosamente, os atuais indivíduos com a variante CCR5-Delta32 são mais suscetíveis ao vírus do Nilo Ocidental, também transmitido pela picada de um mosquito. EFE jr/wr/fal

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