Roma aceita que movimento ultraconservador ignore o Concílio Vaticano II

O Vaticano desistiu de exigir dos ultraconservadores do movimento lefebvrista que reconheçam as reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II em meados da década de 60 a fim de acabar com o cisma, indicou nesta terça-feira o diário Il Giornale.

AFP |

Para o vaticanista do jornal italiano, Andrea Tornielli, que conta com boas fontes dentro do movimento lefebvrista, o Vaticano enviou uma carta à Fraternidade de São Pio X, o movimento católico fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, na qual ditou cinco condições para a reitegração do movimento.

Dentro dessas condições não se faz referência alguma às mudanças estipuladas pelo Concílio Vaticano II para modernizar a Igreja e se pede o reconhecimento da autoridade do Papa e o compromisso de defender a Igreja.

Até agora, o Vaticano exigia que fossem reconhecidos os ensinamentos do Concílio Vaticano II, entre eles aceitar a liberdade religiosa e o ecumenismo, assim como o respeito às reformas litúrgicas introduzidas, cuja falta de obediência provocou o cisma de 1988 com os lefebvristas.

A Fraternidade de São Pio X foi fundada em 1969 em Econe (Suíça) pelo monsenhor Lefebvre, que foi excomungado junto com os demais membros do movimento em 1988 pelo falecido Papa João Paulo II.

A Fraternidade de São Pio X rejeita qualquer abertura e renovação dentro da Igreja e defende a celebração da missa me latim, segundo o missal de Pio V, do século XVI.

Bento XVI deseja reintegrar os lefebvristas à Igreja e retomou o diálogo com o movimento poucos meses depois de chegar ao trono de Pedro em 2005.

A autorização em julho de 2007 da celebração da missa em latim, a chamada "tridentina", tal como pedia o movimento ultraconservador, foi considerada como uma mão estendida aos lefebvristas.

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