Rogge defende respeito aos direitos humanos; China quer deixar política de lado

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, pediu nesta quinta-feira a China que respeite os compromissos de melhorar a situação dos direitos humanos antes das Olimpíadas de Pequim, mas o governo chinês respondeu que a política deve ficar de fora do evento.

AFP |

Rogge lembrou, em entrevista coletiva, que as autoridades chinesas haviam prometido, depois de apresentar a candidatura aos Jogos Olímpicos de 2008, que se vencessem a disputa isto "faria progredir as questões sociais, em especial os direitos humanos".

"Isto é o que eu qualificaria de compromisso moral, mais que jurídico. Pedimos a China que respeite este compromisso moral", afirmou.

No entanto, o governo da China pediu pouco depois do discurso de Rogge que o COI deixe os "fatores políticos irrelevantes" fora dos Jogos Olímpicos.

"Acredito que os dirigentes do COI respaldam os Jogos Olímpicos e aceitam a carta olímpica, que estipula que fatores políticos irrelevantes não sejam considerados", afirmou a porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Jiang Yu.

"Espero que os dirigentes do COI continuem aderindo aos princípios da carta olímpica", acrescentou.

A China anunciou também nesta quinta-feira que um grupo terrorista desmantelado na região autônoma de Xinjiang (noroeste), de população majoritariamente muçulmana, tinha a intenção de seqüestrar atletas, jornalistas e turistas estrangeiros durante os Jogos Olímpicos de Pequim.

"No mês de novembro, os terroristas planejaram seqüestrar jornalistas, turistas e atletas estrangeiros durante os Jogos Olímpicos de Pequim", declarou o porta-voz do ministério chinês da Segurança Pública, Wu Heping, citado pela agência oficial Xinhuan (Nova China).

Wu afirmou que o grupo, de 35 pessoas, foi desarticulado entre 26 de março e 6 de abril na região muçulmana de Xinjiang, que faz fronteira com o Paquistão e várias antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central.

Mais cedo, Rogge fez um discurso muito combativo aos representantes dos 205 comitês olímpicos nacionais reunidos em Pequim com a comissão executiva do COI, no sentido de motivar os atletas a comparecer aos Jogos.

"Digam a eles que, apesar de tudo o que têm ouvido, os Jogos serão muito bem organizados", destacou Rogge, antes de pedir aos atletas que "não percam a fé".

"Nos restam 120 dias e tenho certeza de que será um sucess", acrescentou.

Rogge afirmou ainda que a viagem da tocha olímpica não tem sido o evento feliz que esperava, em conseqüência dos incidentes registrados durante sua passagem, especialmente em Paris e Londres.

"Felizmente, a situação foi melhor ontem (quarta-feira), em São Francisco. No entanto, não foi a festa feliz que havíamos desejado".

"Nos sentimos aliviados e felizes com o que ocorreu em São Francisco, onde não houve violência ou detenções", completou.

Além disso, fez questão de ressaltar que a viagem da tocha olímpica não será encurtada, apesar das polêmicas na Europa e Estados Unidos.

"Posso confirmar que este cenário não figura no programa", declarou Rogge.

Alguns membros do COI haviam mencionado a possibilidade de redução do percurso da chama olímpica depois do fiasco registrado segunda-feira em Paris.

Os protestos são motivados pela repressão chinesa aos monges no Tibete, mas o Dalai Lama reiterou nesta quinta-feira seu apoio aos Jogos Olímpicos de Pequim.

"Apóio a organização dos Jogos pelos chineses porque a China é a nação mais povoada e mais antiga", declarou o líder espiritual do budismo tibetano pouco depois de desembarcar no aeroporto de Narita, Japão.

"Realmente merecem", acrescentou à imprensa.

"Apesar dos acontecimentos infelizes no Tibete, minha posição não mudou", concluiu.

O presidente do COI reafirmou ainda em sua entrevista coletiva os princípios da carta olímpica, ao lembrar que os atletas não serão autorizados a fazer propaganda, mas conservarão a liberdade de expressão nos Jogos de Pequim.

"A liberdade de expressão é algo absoluto, é um direito humano que também pertence aos atletas", declarou Rogge, em entrevista coletiva, antes de lembrar que esportistas terão que aceitar as "pequenas restrições" citadas na carta olímpica, cujo artigo 51 proíbe qualquer "propaganda política, religiosa ou racial" em uma sede olímpica.

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