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Roche recebe Oscar da Vergonha por supostamente ignorar roubo de órgãos

Davos (Suíça), 27 jan (EFE).- A empresa suíça do ramo farmacêutico Roche recebeu hoje o prêmio apelidado de Oscar da Vergonha por continuar fazendo na China testes em órgãos transplantados e supostamente extraídos de presos executados.

EFE |

As ONGs Declaração de Berna e Greenpeace organizam anualmente a seleção e entrega do Public Eye Awards, cujo objetivo é pôr em evidência as empresas com pior comportamento social e ecológico.

A entrega do "prêmio" é feita em paralelo ao Fórum Econômico de Davos, que reúne anualmente muitos dos executivos das empresas denunciadas por essas organizações.

Além da Roche, foram indicados ao prêmio de pior companhia ou entidade suíça o Comitê Olímpico Internacional (COI), acusado de aprovar os Jogos Olímpicos de Vancouver sem o consentimento das populações autóctones, e a empresa de comunicação Farner PR, que teria espionado para a indústria armamentista durante a campanha pela proibição da exportação de armas.

A Roche foi escolhida tanto pelo júri oficial, que lhe deu o chamado "Prêmio Suíço", como pelo público, que lhe concedeu o prêmio popular.

Ambos censuraram de forma unânime os testes na China para avaliar a eficácia de seu remédio CellCept em pacientes transplantados sem supostamente conhecer a procedência dos órgãos doados.

Segundo os organizadores do Public Eye, 90% dos órgãos transplantados na China procedem de presos executados.

Para demonstrar a confiabilidade de sua denúncia, durante o ato de entrega dos prêmios foi exibida uma reportagem da "BBC", feita com câmera escondida, em que vários médicos chineses assumem que a maioria dos órgãos doados vem de presos executados.

A Declaração de Berna entrou em contato com a Roche para que explicasse a origem dos órgãos. A farmacêutica se recusou a dar tal informação.

"Enquanto a empresa não excluir a possibilidade de que os órgãos transplantados vêm de presos, viola os princípios éticos assumidos pelas organizações médicas internacionais", declarou Patrick Durisch, responsável de saúde da Declaração de Berna.

"Durante a última década, e segundo números oficiais, mais de dez mil transplantes foram feitos na China, frequentemente em períodos de tempo incrivelmente curtos. Ao mesmo tempo, as doações espontâneas de órgãos são algo ainda muito raro na China", acrescentou Durisch.

O prêmio global ficou com o Royal Bank of Canada por financiar a exploração de petróleo com o uso de areia queimada na província de Alberta, com graves consequências sociais e ecológicas.

Os finalistas do prêmio internacional foram a siderúrgica indiana Arcelor Mittal, acusada de explorar a mina mais poluente da África do Sul, e o grupo energético francês GDF Suez, por seu envolvimento na construção da usina hidrelétrica de Jirau no rio Madeira, em Rondônia, causando o deslocamento de milhares de residentes autóctones.

O projeto Mandato de Água, incluído no programa de responsabilidade corporativa da ONU, Global Compact, também foi agraciado na categoria de entidades que se autodenominam "verdes", mas não o são.

O Public Eye reprova a inclusão de empresas como Nestlé e Coca-Cola, "que sob o logotipo da ONU continuam com sua política de privatização de água", disse Richard Girard, do instituto canadense Polaris. EFE mh/bba

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