Robin Hoods gregos roubam mercados em protesto contra crise alimentícia

Adriana Flores Bórquez. Atenas, 8 set (EFE).- Grupos de jovens assaltaram vários supermercados da Grécia e, em uma versão moderna de Robin Hood, dividiram o que pegaram entre os mais necessitados em protesto contra o aumento no preço dos alimentos.

EFE |

Nos últimos quatro meses, foram registrados já cinco casos nas áreas atenienses de Kolinaki, Exarjia, Néons Kosmos e Ágios Pandeleímonas, e um nesta semana em Ano Poli, o porto setentrional de Salônica, a segunda maior cidade da Grécia.

Os jovens encapuzados, que atuam em grupos de mais de 50 pessoas, invadem os supermercados sem armas e, segundo as testemunhas, pedem "amavelmente que os clientes não se assustem", antes de encher os carrinhos com alimentos de primeira necessidade e fugir.

Depois, eles dividem azeite, leite, arroz e outros alimentos básicos entre os transeuntes de mais idade. Em outras duas ocasiões, distribuíram, nas feiras livres, os ítens roubados entre as surpreendidas donas de casa.

"Fazem muito bem. Tudo está muito caro e falta dinheiro", declarou uma senhora que se encontrava na quinta-feira no mercado e a quem os desconhecidos presentearam com alguns produtos que tinham acabado de roubar.

Com a ação desta semana em Salônica, o site alternativo Indymedia da Grécia se encheu de comentários de apoio a este tipo de atuação.

"Bravo. É muito positivo que repartam a comida entre os pobres", comentava hoje um deles. E outro declarava "eu estava na feira e vi a forma positiva com que os moradores os recebiam".

Em algumas ocasiões, incluindo em Salônica, os assaltantes, que se identificavam como membros da Iniciativa contra a Carestia, se retiravam gritando palavras de ordem contra "a exploração do povo", e destacando em panfletos que "isto não é roubo, é o fruto" da exploração e que tudo aquilo os pertence.

O porta-voz da Confederação de Trabalhadores da Grécia (GSEE), Stathis Anestis, explicou à Agência Efe que 14% dos trabalhadores vivem abaixo da linha de pobreza. Em números absolutos, afirmou que afeta quase um quarto dos 11 milhões de habitantes gregos.

"Temos, além disso, só a metade do poder de compra do resto de nossos parceiros europeus", disse Anestis, que acrescentou que o salário mínimo de 701 euros ao mês (cerca de US$ 1 mil) e a aposentadoria mínima de 468 euros (cerca de US$ 668) levam o povo a protestar nas ruas.

Segundo os últimos dados publicados pela Fundação de Pesquisa Econômica e Industrial grega (IOBE), 80% dos gregos estão pessimistas em relação ao rumo da economia e acreditam que o custo de vida continuará subindo.

O Serviço de Estatísticas Nacional manteve a inflação em 4,9% do PIB no mês de julho, número que se repete desde maio e junho, devido ao custo do petróleo e da comida.

"A dignidade é um direito, não um lucro", diziam os panfletos distribuídos por estes Robin Hoods, que denunciavam "o mecanismo de consumo por parte das multinacionais".

O ministro de Desenvolvimento grego, Jristos Folias, anunciará este fim de semana medidas para combater a fome, incluindo multas e regulações para frear os preços "inflacionados" dos produtos das multinacionais que chegam ao comércio grego, superiores ao resto dos países europeus.

As medidas incluem educar o consumidor a buscar os produtos de melhor qualidade e preço, assim como sanções fiscais e multas de até 10% do lucro às multinacionais que sobrecarregarem os valores dos alimentos.

Os sindicalistas exigem ao Executivo conservador que conceda subvenções adicionais contra a carestia para os cidadãos de menor renda, como ajudas para atenuar a alta da inflação. EFE afb/ab/rr

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