Robert Mugabe se diz disposto a deixar o poder

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, está disposto a deixar o poder, informaram nesta terça-feira um alto representante do partido no poder e fontes diplomáticas ocidentais.

AFP |

"Ele está disposto a isto porque não quer encarar um segundo turno" na eleição presidencial, declarou este alto representante da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), que não quis ser identificado.

"Somente uma pessoa ainda o impede de deixar o cargo: o chefe do Exército" Constantine Chiwenga, acrescentou.

Dois diplomatas europeus em Harare confirmaram que um pré-acordo foi concluído entre a oposição e os colaboradores de Mugabe.

"Tudo está caminhando na direção de uma saída tranqüila do presidente Mugabe", disse um deles.

Robert Mugabe, 84 anos, no poder desde a independência da ex-Rodésia britânica em 1980, era candidato a um sexto mandato. Seu adversário, o líder da oposição Morgan Tsvangirai, deve conceder uma entrevista em Harare às 20H00 locais (15H00 de Brasília).

A decisão de Mugabe está sendo revelada num momento em que a impaciência aumentava nesta terça-feira no Zimbábue ante a lenta divulgação dos resultados das eleições de sábado. União Européia, Estados Unidos e ONU aumentaram a pressão.

O ministro Dimitrij Rupel das Relações Exteriores da Eslovênia - país que preside este semestre a União Européia, assegurou nesta terça-feira que Mugabe "já sabe que perdeu as eleições".

Os Estados Unidos exigiram do governo do Zimbábue que divulgasse rapidamente os resultados eleitorais respeitando a vontade do povo.

"Queremos que a recontagem dos votos à presidência seja divulgada o mais rápido possível", disse o porta-voz adjunto do departamento de Estado, Tom Casey.

"A demora na contagem e na divulgação dos resultados são preocupantes, ainda mais levando em conta os problemas para os quais alertamos antes das eleições", lembrou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em visita a Nova York, pediu "a maior transparência" na contagem dos votos no Zimbábue para que o povo tenha total confiança nos resultados, explicou.

A Comissão Eleitoral do Zimbábue pediu que o país "tenha paciência". Segundo os dados apresentados até agora pelo organismo, a oposição contra Mugabe está à frente no número de cadeiras no parlamento.

A impaciência pela divulgação dos resultados era evidente nas filas para comprar o jornal, vendido na maioria das vezes pelo triplo do valor real.

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