Robert Gates, um homem próximo ao clã dos Bush

Robert Gates, de 65 anos, atual secretário de Defesa americano e confirmado nesta segunda-feira no cargo por Barack Obama, é um homem acostumado a transitar pelas altas esferas do governo. Já esteve à frente da CIA e foi o responsável pela mudança de estratégia no Iraque após sua nomeação, em 2006, pelo presidente George W. Bush.

AFP |

"O secretário de Defesa deve ser um homem com perspectiva, que veja as ameaças no horizonte e saiba preparar a nação para enfrentá-las. Bob Gates é este homem", havia resumido Bush ao anunciar sua escolha.

No início de dezembro do ano passado, Gates conquistou os senadores americanos com a franqueza com que reconheceu, durante uma audiência no Congresso, que os Estados Unidos não estavam ganhando a guerra no Iraque, declarando-se contrário a um conflito com Irã ou Síria.

Por outro lado, sua confirmação de que Israel era "uma potência nuclear" geraram duras críticas no Estado judeu.

Após suceder ao polêmico Donald Rumsfeld, coordenou o envio de mais 30.000 soldados ao Iraque no início de 2007, seguindo a decisão de Bush.

Muito criticada a princípio, a estratégia, junto com outras medidas, contribuiu para melhorar a situação no Iraque.

No governo de Barack Obama, sua principal missão será aumentar o contingente militar americano no Afeganistão, país que o presidente eleito considera "o front da luta contra o terrorismo".

Gates, por sinal, já disse que concorda com as propostas de Obama de enviar reforços ao Afeganistão e fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba.

Sua posição muda, no entanto, quando o assunto é a definição de um calendário fixo para a retirada do Iraque - que Obama deseja concluir dentro de 16 meses.

Conhecido pelo pragmantismo, Gates ocupou cargos em todos os escalões da CIA, onde passou 27 anos de sua carreira e serviu a seis presidentes. Em 1966, começou em seu primeiro emprego na agência, como analista de informações, chegando a diretor durante o governo de George Bush pai. Ocupou o posto entre novembro de 1991 e janeiro de 1993.

Bob Gates também trabalhou para George Bush pai como assessor adjunto no Conselho Nacional de Segurança (NSC) entre 1989 e 1991, onde atuou ao lado da atual secretária de Estado, Condoleezza Rice.

Na NSC passou ao todo nove anos, sob a administração de quatro presidentes - tanto democratas quanto republicanos.

Nasceu no Kansas em 25 de setembro de 1943, é casado e pai de dois filhos adultos. É historiador por formação e possui doutorado em História da União Soviética. Na NSC, presidia os debates sobre a Rússia, enquanto Condoleezza Rice coordenava as reuniões sobre o Leste Europeu.

Gates escreveu um livro sobre Guerra Fria e espionagem, entitulado "From the shadows: the ultimate insider's story of five presidentes and how they won the cold war" ("Saído das sombras: a história secreta de cinco presidentes e como eles ganharam a Guerra Fria").

Em 1991, durante as audiências no Congresso para sua confirmação como diretor da inteligência, Robert Gates foi interrogado várias vezes sobre o caso 'Irangate', escândalo que veio à tona em 1986, envolvendo a venda de armas ao Irã para financiar as ações americanas contra o governo sandinista na Nicarágua.

Há quatro anos, Robert Gates é também presidente da Universidade A and M do Texas (sul). Em 2006 participou dos trabalhos do Grupo de Estudos sobre o Iraque, que no fim de 2007 recomendou uma mudança de estratégia no país.

vmt/ap/sd

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