Robert Gates pede desculpas por afegãos mortos pelos EUA

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, lamentou nesta quarta-feira, em Cabul, a morte de civis afegãos nos bombardeios americanos e aceitou investigar o mais grave desses episódios, junto com as autoridades locais.

AFP |

"Quero comunicar meus mais sinceros pêsames e minhas desculpas pessoais pela recente perda de vidas como resultado dos bombardeios da coalizão", declarou o secretário da Defesa, após se reunir com o presidente afegão, Hamid Karzai.

"Nas raras ocasiões em que cometemos um erro, quando há um erro, temos de pedir perdão rapidamente, oferecer rapidamente compensações e abrir, depois, uma investigação", afirmou Gates.

O secretário da Defesa anunciou ainda ter aceitado a proposta do ministro afegão da Defesa, Abdul Rahim Wardak, de criar uma comissão conjunta para esclarecer o que aconteceu no bombardeio da aldeia de Azizabad, no oeste afegão, em 22 de agosto passado.

Segundo o governo afegão e a ONU, 90 civis morreram nesse ataque, incluindo uma grande quantidade de mulheres e crianças, o que configurou o pior incidente desse tipo em sete anos de guerra contra os talibãs.

Inicialmente, as forças americanas anunciaram a morte de 30 a 35 milicianos islamitas e "de cinco a sete" civis, mas abriram sua própria investigação, depois que foram divulgadas imagens gravadas com telefones celulares, mostrando vários cadáveres alinhados em uma mesquita antes de serem enterrados.

Gates disse ainda que o Pentágono se prepara para enviar mais tropas ao Afeganistão. "Além das forças internacionais que nossos aliados se comprometeram a enviar, mandaremos tropas adicionais em 2009", em resposta ao pedido de reforços dos comandos militares.

Desde o início do ano, 210 soldados da coalizão morreram nesse país, quatro deles hoje, durante a visita de Gates, pela explosão de um carro-bomba no leste.

Em relação ao aumento dos ataques americanos nas regiões tribais do Paquistão, Gates prometeu colaborar com as autoridades paquistanesas para que os militantes fundamentalistas "que buscam refúgio nas zonas do lado paquistanês da fronteira não façam isso impunemente".

Horas mais tarde, um ataque com mísseis, provavelmente americano, deixou cinco mortos na região paquistanesa do Waziristão Sul, área que abriga campos de treinamento dos rebeldes, de acordo com fontes paquistanesas.

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