Rixa entre Uruguai e Argentina impede escolha de secretário-geral da Unasul

Mar Marín. Costa do Sauípe (Bahia), 16 dez (EFE).- A disputa entre Uruguai e Argentina na União de Nações Sul-americanas (Unasul) forçou hoje o adiamento das discussões sobre quem será o secretário-geral da aliança até abril, embora tenha sido unânime o apoio à escolha do presidente da Bolívia, Evo Morales.

EFE |

A reunião da Unasul, realizada no balneário da Costa do Sauípe a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, só durou cerca de uma hora, já que aconteceu entre o encerramento da cúpula do Mercosul e a abertura do encontro entre os chefes de Estado e de Governo da América Latina e do Caribe.

Ainda assim, os líderes das nações sul-americanas encontraram tempo para discutir questões que sequer foram incluídas na ordem do dia, como a eleição do secretário-geral da organização, criada em maio deste ano em Brasília e integrada por 12 países.

A declaração final do encontro, porém, não trouxe nenhuma menção aos debates sobre o tema. Nela, os governantes do bloco apenas reconhecem o relatório elaborado pela Comissão da Verdade a respeito do massacre ocorrido na região boliviana de Pando em setembro, quando 20 camponeses morreram, em sua maioria seguidores do Governo Morales.

O relatório, questionado pelos opositores da direita boliviana, "cumpriu com rapidez e imparcialidade" sua tarefa e "contribuiu com rigor e responsabilidade para o estabelecimento dos fatos" e para "evitar a impunidade de graves violações aos direitos humanos".

A comissão investigadora da Unasul, coordenada pelo jurista argentino Rodolfo Mattarollo, concluiu que, no episódio em questão, as autoridades de Pando incorreram em crimes de "lesa-humanidade".

O texto, apresentado na cúpula desta terça-feira por seu próprio autor, agora será levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e ao Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, informou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.

No entanto, a unanimidade da Unasul em torno dos confrontos na Bolívia não se traduziu em consenso quando veio à tona o assunto sobre a eleição do secretário-geral da aliança.

"Não se falou de nenhum nome para a Secretaria-Geral" da Unasul, limitou-se a comentar Amorim.

O problema da escolha de um secretário-geral para a Unasul está no veto do Uruguai à candidatura do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007), que agora paga por se opor à construção de uma fábrica de celulose na localidade de Fray Bentos, no lado uruguaio da fronteira entre os dois países.

Para não agravar ainda mais a disputa, que já dura dois anos, os países da Unasul se deram até abril para definir como será o mecanismo de escolha do secretário-geral, que atualmente só pode ser eleito por unanimidade.

Além disso, embora também não tenha sido incluído na declaração final, os participantes da cúpula aprovaram a criação dos conselhos sul-americanos de Defesa e de Saúde.

Ao término da reunião, os presidentes evitaram falar das divergências, preferindo dar importância aos entendimentos.

Em declarações à Efe, Tabaré Vázquez destacou que o encontro contribuiu para o fortalecimento da Unasul. Além disso, contou que não expôs sua postura sobre a eleição do secretário-geral do bloco porque "não estava na ordem do dia".

Vázquez também não disse se, como disseram alguns jornais, chegou a cogitar a possibilidade de abandonar a reunião da Unasul caso Kirchner fosse eleito para o posto vago.

Já a presidente argentina, Cristina Fernández, se mostrou satisfeita com o resultado da cúpula, embora tenha evitado se referir à disputa com o Uruguai, limitando-se a dizer que encontros como o de hoje não são os mais indicados para que países tratem de "individualidades e diferenças latentes". EFE mar/sc

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