Rival de Mugabe rejeita governo de união no Zimbábue

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, rejeitou nesta quarta-feira a formação de um governo de unidade nacional se não for reconhecido como o vencedor da eleição presidencial do país, oficialmente vencida pelo presidente, Robert Mugabe. Na terça-feira, ao final de um encontro no Egito, líderes africanos aprovaram uma resolução pedindo a formação do governo de unidade nacional no Zimbábue.

BBC Brasil |

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"Um governo de unidade nacional não atende aos problemas enfrentados pelo Zimbábue e nem reconhece a vontade do povo zimbabuano", disse Tsvangirai, que obteve o maior número de votos no primeiro turno.

O líder oposicionista afirmou ainda que a União Africana deveria indicar um outro mediador para se unir ao presidente da África do Sul, Thabo Mbeki.

''Ilegítimo''

Tsvangirai, líder do Movimento para Mudança Democrática (MDC), retirou-se da disputa na semana passada alegando haver violência generalizada promovida pelo governo.

O segundo turno aconteceu na sexta-feira e confirmou a previsível vitória de Mugabe, que buscava a reeleição.

Em nota oficial, o MDC disse na terça-feira que a resolução dos líderes da União Africana não lidou de maneira adequada com a contínua violência no Zimbábue, que inclui relatos de ataques contra os eleitores que não votaram em Mugabe.

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Mugabe participou da cúpula como presidente do Zimbábue
Tsvangirai disse que a resolução aprovada pelos líderes africanos não reconhece a ilegitimidade do segundo turno realizado no dia 27 de junho.

"A resolução apóia o conceito de um governo de unidade nacional, sem reconhecer que o MDC, como vencedor da votação de 29 de março, deveria ser considerado como o governo legítimo do Zimbábue", afirmou o líder da oposição.

Diálogo

Um porta-voz de Mugabe saudou o apelo por diálogo feito pela União Africana.

O ministro de Informação do Zimbábue, Sikhanyiso Ndlovu, disse que Mugabe já havia defendido o diálogo antes do encontro no Egito.

"(O pedido dos líderes africanos) apenas apóia o que o presidente (Mugabe) já havia dito, que ele defende um diálogo nacional e está aberto a qualquer um que queira dialogar, não uma unidade nacional tramada pelo Ocidente", disse Ndlovu.

Depois do encontro da União Africana, o ministro do Exterior francês, Bernard Kouchner, cujo país está atualmente na Presidência da União Européia, disse que o bloco "não aceitará um governo que não seja liderado por Tsvangirai".

Mas Thabo Mbeki disse que uma solução não pode ser imposta de fora.

"O resultado de um processo de diálogo deve ser um resultado decidido pelos zimbabuanos", disse Mbeki à imprensa sul-africana.

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