Rival de Chávez, López desiste de disputar presidência da Venezuela

Opositor venezuelano mais conhecido no exterior anuncia apoio a Capriles após pesquisas indicarem derrota em primárias da oposição

iG São Paulo |

Um dos líderes da oposição mais conhecidos da Venezuela, o ex-prefeito de Caracas Leopoldo López, abandonou sua candidatura à presidência do país e anunciou seu apoio ao governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski.

A saída do carismático ex-prefeito de Caracas deixa cinco candidatos na disputa pela chapa presidencial da coalizão opositora Unidade Democrática. Ex-aluno de Harvard, López, 40 anos, era o candidato mais reconhecido no exterior por causa de sua longa batalha legal com o governo de Chávez depois de ter sido excluído da política em 2008.

O anúncio garante um impulso significativo para Capriles, que é o favorito com 10 a 20 pontos porcentuais sobre os rivais nas pesquisas para as primárias da oposição em 12 de fevereiro, que determinarão um candidato único para enfrentar o presidente Hugo Chávez na eleição presidencial de 7 de outubro.

No poder há 13 anos, Chávez tenta mais um mandato de seis anos em meio a índices de aprovação que recentemente estão acima de 50%. "Ele será o próximo presidente", disse López em uma coletiva com Capriles, com quem trocou um abraço e foi ovacionado por uma multidão. "Serei um grande aliado dele", completou.

Capriles, 39 anos, atraiu apoio entre os venezuelanos ao apresentar-se como um gerenciador capaz e ao prometer resolver problemas como aumento do crime, desemprego e inflação a 27%.

Governador de Miranda desde 1998, Capriles tende a evitar confrontos verbais com Chávez e se descreve como um político de centro-esquerda. Ele relaciona a sua abordagem à do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva . Miranda é o segundo Estado mais populoso da Venezuela e inclui partes da capital, Caracas, e cidades muito pobres nas colinas ao redor.

Os rumores sobre a desistência de López começaram na segunda-feira, quando, em um debate na TV, ele disse que faria um "anúncio importante" ao lado de Capriles. "O ano de 2012 será de mudanças", afirmou. "Juntos construiremos essa grande unidade, buscando a vitória na eleição."

Leia também: Saiba mais sobre a trajetória de Leopoldo López

López anunciou sua candidatura em outubro, apesar de uma batalha judicial para poder disputar a eleição. A Corte Interamericana de Direitos Humanos lhe deu um parecer favorável no ano passado, mas a Suprema Corte da Venezuela decretou, de forma confusa, que ele poderia disputar a presidência, mas estava impedido de assumir o cargo por conta de uma investigação pendente sobre corrupção.

Analistas dizem que a decisão de López pode ter mais a ver com sua terceira posição nos levantamentos do que com a decisão judicial que ele havia prometido desafiar.

*Com AP e Reuters

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