Macarena Vidal. Washington, 12 set (EFE).- Os candidatos à Vice-Presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin e Joe Biden, não poderiam ser mais diferentes, mas quando seus rostos forem mostrados no debate de 2 de outubro, terão uma coisa em comum: cada um dos dois tem um filho no Iraque.

Track Palin, de 19 anos, o primogênito da governadora do Alasca, foi deslocado para o Iraque ontem, quinta-feira, no sétimo aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Entre suas tarefas, como informou o coronel Burt Thompson, líder da brigada de combate onde Track desempenhará suas funções, estarão a proteção de comandantes superiores.

Já Beau Biden, de 39 e atual procurador-geral de Delaware, será incorporado como parte da Guarda Nacional desse estado a partir de 3 de outubro.

Biden, considerado um possível candidato a suceder seu pai como senador por Delaware e taxado um trunfo para a candidatura democrata, desenvolverá funções de advogado militar.

Se fosse levado em conta que Jimmy McCain, filho do candidato presidencial republicano John McCain, retornou no início deste ano do país árabe, seria considerada curiosa essa circunstância em que três dos quatro integrantes das chapas eleitorais nos EUA terão ou tiveram filhos na Guerra do Iraque.

A única exceção é o candidato presidencial democrata, Barack Obama, cujas filhas são jovens demais.

Durante as respectivas convenções dos partidos, tanto Beau como Track saíram do palco acompanhando seus pais.

Os comandantes militares asseguraram que nenhum dos dois receberá tratamento diferenciado durante o ano de seu desdobramento. "Não, em absoluto", declarou o comandante da companhia de Palin.

"É um soldado", afirmou o tenente-coronel Len Gratteri, porta-voz da Guarda Nacional de Delaware.

Essa situação é o total oposto da apresentada em uma cena do filme "Fahrenheit 9-11", de Michael Moore, na qual o diretor perseguia os congressistas para lhes perguntar se estariam dispostos a enviar algum de seus filhos para lutar no Iraque.

No entanto, isso ocorre agora que o conflito neste país do Oriente Médio deixou de figurar como a preocupação principal dos eleitores na hora de votar no dia 4 de novembro, sendo substituída por assuntos como a crise hipotecária ou o andamento da economia em geral.

Mesmo assim, figura de maneira proeminente nos programas eleitorais dos candidatos.

Obama, que fez de sua oposição a esse conflito uma de suas marcas registradas para essa eleição, é partidário da retirada das tropas americanas do Iraque o mais rápido possível, em um ano e meio no máximo.

Já McCain, que defendeu a posição da Casa Branca no Iraque, não se opõe a uma longa permanência e assegura que antes de tomar uma decisão consultará os comandantes militares no local.

Não se trata da primeira ocasião em que um candidato, ou um presidente, tem um filho na frente de batalha.

A mesma situação já ocorreu durante o mandato de Lyndon B.

Johnson, cujo genro, Charles Robb, foi oficial da Infantaria da Marinha no Vietnã. O presidente Dwight Eisenhower viu seu filho John combater na Coréia.

Porém, isso faz com que o debate sobre o que ocorre no Iraque afete de maneira profundamente pessoal os candidatos.

O envio de Beau Biden para o Iraque acontecerá um dia depois de seu pai e Palin terem participado do debate como candidatos à Vice-Presidência, em 2 de outubro, em Saint Louis (Missouri).

Todos os olhos estarão voltados para o debate, possivelmente, o mais aguardado entre dois candidatos à Vice-Presidência das últimas décadas, se não de toda a história dos EUA, e que promete dar muito o que falar.

Palin, desde sua entrada na campanha há apenas duas semanas, atraiu a atenção da imprensa, e fez com que os republicanos se destacassem nas pesquisas. Biden é famoso por sua lábia, sua mordacidade e sua experiência.

Mas, embora seu debate seja duro, certamente encontrarão um momento para desejarem boa sorte uns aos outros quanto aos seus filhos. EFE mv/bm/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.