Ritmo de contágio cresce, e capital mexicana se arma para enfrentar gripe

Patricia Vázquez. México, 28 abr (EFE).- A capital mexicana, uma das regiões mais afetadas pela gripe suína, se preveniu hoje contra o contágio com o fechamento de todos os estabelecimentos de entretenimento, enquanto o ritmo de expansão da doença começa a crescer.

EFE |

O prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, reconheceu que é preciso pensar que os habitantes da capital, quase 19 milhões, vão ter que "coexistir com este vírus por um longo período de tempo" e que o surto está "no momento crítico" para que se evite um "contágio exponencial".

Desde sábado, diminuíram os casos de prováveis contágios de gripe suína na capital mexicana, onde na segunda-feira se deu alta a 14 pacientes, um número recorde desde o início da epidemia.

Segundo o último número oficial, divulgado nesta segunda-feira, só 20 mortos foram confirmados por análises virológicas no país e ainda precisam ser comprovados outros 135 casos de pessoas que morreram com sintomas da gripe suína.

Até o momento, o Governo, que foi acusado de falta de transparência na gestão da crise e até de esconder informação, não divulgou hoje novos números de mortos nem de casos prováveis no país.

Hoje começaram a ser feitos no país os primeiros testes rápidos de detecção do vírus da gripe suína para melhorar a luta contra a epidemia.

O prefeito assegurou que as medidas que estão sendo tomadas pelas autoridades da capital, o Governo e a população já "começam a se refletir". Por isso, pediu que "se mantenha o rumo".

Cerca de 25 mil estabelecimentos do Distrito Federal mexicano, entre eles restaurantes, ginásios, cinemas e teatros, tiveram a partir de hoje sua atividade restringida ao mínimo ou totalmente.

Os restaurantes só poderão preparar comida para entregas e em nenhum caso está permitido que os clientes comam no local.

A Confederação de Câmaras Industriais do México (Concamin) expressou, em comunicado, sua "preocupação com a decisão unilateral do Governo do Distrito Federal de ordenar o fechamento de restaurantes, com a consequente aplicação de sanções".

Para a organização, a medida "não foi recomendada nem foi motivo de alerta por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) e propiciará que os consumidores recorram aos comércios informais de venda de alimentos, aumentando o risco de que se adquira doenças".

A Prefeitura da cidade fez um fundo de apoio de 150 milhões de pesos (US$ 10,7 milhões), inicialmente, destinado a famílias afetadas, que percam emprego ou renda devido à doença, e também dirigido a empresas.

As aulas em todo o país estão suspensas a partir de hoje e até o próximo dia 6 de maio, em uma medida iniciada na sexta-feira na capital mexicana e nos estados do México e de San Luis Potosí.

A suspensão afeta US$ 33 milhões em todo o país e quase dois milhões de professores.

Para o ministro da Educação mexicano, Alonso Lujambio, a decisão de suspender as aulas nos 32 estados do país é "correta", porque aumenta a possibilidade de redução dos contágios de gripe suína.

Além disso, segundo Lujambio, fechar colégios e universidades "modifica a dinâmica social das famílias, o que tem um custo, mas indubitavelmente um benefício muito maior".

A Associação Nacional de Lojas de Auto-Serviços e Departamentais (Antad), formada por mais de 17 mil estabelecimentos, pediu hoje aos cidadãos que não aumentem o volume de suas compras por temor de que os estabelecimentos fechem, já que eles seguirão abertos.

Em comunicado, o organismo reagia assim aos rumores sobre um possível fechamento de supermercados, que originou na segunda-feira uma afluência em massa dos cidadãos aos shoppings.

Além de México e Costa Rica, a doença foi detectada em Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Espanha, Reino Unido e Israel, o que levou a OMS a alertar que não se pode baixar a guarda porque o vírus A/H1N1 da gripe suína é "imprevisível". EFE pvo/rr

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