Os democratas do Congresso americano devem conquistar uma ampla maioria nas eleições de 4 de novembro, o que lhes promete uma boa margem de manobra para reformar mas também problemas eleitorais em caso de fracasso.

As 435 cadeiras da Câmara dos Representantes preenchidas em 2006 e 35 das 100 cadeiras do Senado estão em jogo nestas eleições de 4 de novembro.

Como no caso da eleição presidencial, o avanço dos democratas é vinculado às preocupações dos eleitores no âmbito econômico e à impopularidade do presidente George W. Bush e do partido republicano.

Segundo pesquisa do site independente Rothenberg political report, divulgada no dia 28 de outubro, os democratas podem conquistar de sete a nove cadeiras suplementares no Senado. Assim, eles chegariam mais perto da marca de 60 cadeiras, o mínimo necessário para impedir a oposição de utilizar o método da obstrução sistemática ou "filibuster", um procedimento que dá aos senadores o direito de bloquear ou atrasar votações.

O partido democrata tem atualmente 49 cadeiras no Senado, assim como os republicanos. No entanto, dois senadores independentes costumam votar com os democratas.

Na Câmara dos Representantes, os democratas podem conquistar de 27 a 33 cadeiras, segundo o Rothenberg political report. A câmara baixa tem atualmente 235 democratas e 199 republicanos.

Se o presidente eleito em 4 de novembro for o democrata Barack Obama, a esmagadora maioria dos democratas no Congresso o ajudará a promulgar suas reformas, como por exemplo a da saúde. Entretanto, como o Legislativo é independente do Executivo, o Congresso pode se opor ao presidente, mesmo se for do mesmo partido.

Se o candidato republicano John McCain vencer, ele terá que lidar com uma oposição bem mais forte. O Congresso poderia, por exemplo, se opor à manutenção das tropas americanas no Iraque.

A última vez que um dos dois partidos obteve a maioria de 60 cadeiras no Senado foi em 1976, quando os democratas ficaram com 62. Eles também contavam com uma maioria dos dois terços na Câmara dos Representantes. Porém, o então presidente Jimmy Carter esteve muitas vezes em conflito com o Congresso, que o impediu de promulgar reformas esperadas.

Em um país historicamente mais sensível às idéias de centro-direita do que à ideologia social-democrata, os democratas sofreram mais sanções eleitorais do que os republicanos.

Em 1994, dois anos depois da eleição do presidente democrata Bill Clinton, os republicanos conseguiram varrer os democratas do Congresso graças à insatisfação provocada pelo projeto de plano de saúde promovido pela esposa do presidente, Hillary Clinton.

Depois da votação no fim de setembro pelo Congresso do plano de resgate dos bancos de 700 bilhões de dólares, os novos parlamentares estarão envolvidos na vigilância das operações de recompra dos ativos podres. Em caso de problema, eles poderão ser responsabilizados.

Em seu site de campanha (dccc.org), os democratas do Congresso garantem que suas prioridades serão "lutar pelo seguro saúde, trabalhar para reduzir os preços da gasolina, tornar a educação mais acessível e elaborar um plano para ter sucesso no Iraque e na guerra contra o terrorismo".

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