Assunção, 13 ago (EFE).- A possibilidade de o Senado do Paraguai vetar o ingresso da Venezuela no Mercosul fez o presidente daquele país, Fernando Lugo, retirar o pedido de adesão que tramitava na câmara alta.

Em carta enviada a Miguel Carrizosa, presidente do Senado, Lugo pediu que a ratificação da entrada da Venezuela no bloco sul-americano, proposta pelo em julho de 2007 Governo anterior, fosse tirada da pauta do dia.

Além de a oposição e de parte do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal aliado de Lugo, terem dito que rejeitariam o pedido de adesão se este fosse votado hoje, uma ala dos liberais e outros parlamentares contrários ao Governo declararam que prefeririam ver a questão de volta na Comissão de Relações Exteriores.

A grande maioria do Senado, controlado pela oposição, não quer que o Mercosul incorpore a Venezuela enquanto o presidente deste país continuar sendo Hugo Chávez, acusado de condutas antidemocráticas pelos legisladores paraguaios.

No entanto, alguns concordam com o chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, no sentido de que uma resistência maior pode afetar as relações entre os dois países, já que a economia paraguaia depende dos combustíveis importados da Venezuela.

"Existe um ambiente negativo, com risco de rejeição", que "poderia gerar problemas nas relações" bilaterais com o Governo de Chávez, admitiu Lacognata, segundo quem o Governo esperará um clima "mais favorável" para votar o pedido de adesão.

A Venezuela é o maior fornecedor de gasóleo do Paraguai, e as autoridades de ambos os países negociam novos contratos desse combustível, assim como o refinanciamento de uma dívida de pouco mais de US$ 300 milhões que a petrolífera estatal paraguaia tem com Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA).

No primeiro semestre deste ano, tudo o que o Paraguai importou de combustível e óleos minerais - US$ 193,8 milhões, ao todo - veio da Venezuela, segundo dados oficiais publicados pelo jornal "Ultima Hora".

O ingresso da Venezuela no Mercosul foi aprovado pelos Governos do bloco (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) em 4 de julho de 2006, mas sua ratificação ainda não foi votadas pelos Congressos brasileiro e paraguaio.

O Legislativo paraguaio foi o último a incluir o tema em sua pauta. E isso só aconteceu depois que, em meados de 2007, Chávez chamou os senadores brasileiros de "papagaios" dos Estados Unidos por terem criticado o Governo venezuelano pelo fechamento da emissora "Radio Caracas Televisión" ("RCTV").

Para Carrizosa, que também preside o Congresso paraguaio e pertence ao opositor Partido Pátria Querida (PPQ, direita), o melhor teria sido que o pedido de adesão permanecesse paralisado nas comissões do Senado.

"Não podemos ficar dizendo a Chávez o que ele tem que fazer (...), mas suas últimas atuações no fechamento de rádios, emissoras de televisão e na questão da reeleição indefinida vão contra a Cláusula Democrática do Mercosul", afirmou Carrizosa, que destacou a hostilidade do Senado paraguaio em relação ao chefe de Estado venezuelano.

O ingresso da Venezuela no bloco sul-americano foi incluído na pauta do dia a pedido da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), a segunda maior legenda da oposição e cujos líderes são os que mais criticam a gestão de Chávez.

O líder da bancada da Unace no Senado, Jorge Oviedo Matto, disse que a manobra do Governo paraguaio indica que "Lugo protege seu amigo Chávez". EFE rg/sc

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