Risco de vazamento é pequeno, diz especialista

Segundo informações divulgadas no Japão, houve falha na refrigeração dos reatores e a pressão estaria subindo

iG São Paulo |

O Japão declarou um estado de emergência em uma segunda usina nuclear depois que seu sistema de resfriamento em seus três reatores falhou depois do forte terremoto que atingiu o país na sexta-feira. Por enquanto, não há informações de vazamento de radiação.

Mas segundo um pesquisador especializado em reatores nucleares ouvido pelo iG , os riscos de contaminação ambiental das usinas de Fukushima é pequeno: ao contrário de Chernobyl, cujo reator ficava em um galpão, atualmente os reatores nucleares ficam protegidos em sistemas de contenção, que envolvem vários tipos de barreiras, inclusive com paredes de concretos de mais de um metro de espessura, em alguns casos – elas são desenhadas para agüentar inclusive quedas de avião. “Terremoto tem toda hora no Japão. Eles estão preparados para isso”.

Na eventualidade de um aumento de pressão dentro do reator, a liberação de vapor radioativo pode ser feita dentro da estrutura de contenção. “Tudo fica contido. E se for necessário liberar vapor no meio ambiente, para aliviar a pressão e evitar a fusão do reator, os valores de radiação com certeza serão inócuos,” afirmou o especialista. Alguns analistas estão comparando a situação no Japão com o acidente na usina de Three Mile Island, nos Estados Unidos, cujo reator derreteu parcialmente em 1979. “E mesmo neste caso, o material radioativo ficou contido”, explicou.

Previamente, autoridades disseram que apenas uma das duas unidades da Fukushima 1 tinha problemas de resfriamento. Agora dizem que ambas as unidades estão com problemas. A agência nuclear do Japão deve ordenar que a instalação libere vapor levemente radioativo para proteger seus reatores de danos.

A central nuclear Fukushima 2 está localizada a 12 km da central Fukushima 1, onde a sala de controle de um reator registrou pela manhã um nível de radioatividade 1 mil vezes superior ao normal , segundo a agência de notícias Kyodo, que citou uma comissão de segurança. As duas centrais encontram-se a cerca de 270 km ao norte de Tóquio.

Citando o Ministério da Indústria, a agência de imprensa Jiji afirmou que primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, ordenou que cerca de 45 mil saiam da região em um raio de 10 km ao redor da central. Citada pelo New York Times, uma comissão nuclear disse que algum material radioativo - não está claro quanto - escapou da usina. Dentro de um dos reatores nucleares o nível de radioatividade é 1 mil vezes superior que o normal.

O premiê declarou "emergência nuclear" depois que vários reatores foram fechados após o terremoto atingir o país, deixando centenas de mortos . Carros, navios e prédios foram varridos por um tsunami de ao menos sete metros após o tremor acontecer a cerca de 400 quilômetros de Tóquio. Ele viajou para a região atingida, logo depois de ter agendado para a manhã de domingo uma reunião de emergência de seu gabinete.

Autoridades japonesas e militares americanos buscam maneiras de reverter falha de reatores nucleares  cujo sistema de resfriamento falhou em operar devido à perda de energia decorrente do terremoto seguido de tsunami, que atingiu o Japão nesta sexta-feira.

De acordo com o jornal americano Washington Post, os sistemas de resfriamento dos reatores da Tokyo Electric Power Company estão operando por baterias que têm duração de mais algumas horas. Sem eletricidade, o reator não é capaz de bombear água para resfriar seu centro, o que pode levar a um derretimento ou vazamento de material radioativo. A instalação fica na cidade de Onahama.

O tremor causou uma falha de energia e, quando um segundo gerador também parou de funcionar, o sistema de resfriamento foi incapaz de fornecer água para diminuir a temperatura do reator. A agência disse que trabalhadores locais tentavam restaurar o fornecimento de água.

A usina fica no sul de Miyagi, um das regiões mais atingidas, onde um incêndio começou em outra usina nuclear. As chamas estavam em uma turbina em uma das usinas elétricas de Onagawa; fumaça podia ser vista saindo da construção, que é separada do reator da usina. Outra instalação sofre com vazamento de água.

Incêndio

Um incêndio próximo à turbina do centro de geração de eletricidade de Onawaga levou a aumentar as precauções nesse local, mas, segundo a operadora da unidade, Tohoku, o fogo está controlado, não aconteceu nenhum escapamento e não existe risco algum.

"A central está parada", insistiu Tohoku, que administra essa unidade situada na região mais afetada pelo tremor. Segundo a agência local "Kyodo", todas as plantas localizadas na zona litorânea mais afetada pelo tremor anunciaram que não registraram nenhuma anomalia por causa do terremoto.

Explosão em complexo petroquímico

Uma grande explosão atingiu um complexo petroquímico da cidade de Sendai, no nordeste do Japão, horas depois do violento terremoto que abalou essa região do país, informou a imprensa local citando fontes policiais.

A explosão aconteceu numa grande usina de Shiogama, localidade perto da metrópole de Sendai. As imagens da televisão mostravam gigantescas chamas devastando a instalação petroquímica.

*Com AP, AFF e EFE

    Leia tudo sobre: japãoterremotoalerta nuclear

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG